Porsche estuda retomar a produção de motor aposentado há quase 30 anos

O projeto adapta a refrigeração líquida com ventoinha de alta aptidão e dutos de ar, para ajustar a aerodinâmica e diminuir o peso nos esportivos

Motores boxer do Porsche 911 em versões aspirada e turbinada - Divulgação

A Porsche assinalou uma patente que apresenta a recuperação parcial de uma das suas marcas registradas: os motores refrigerados a ar; que foram deixados de lado em 1998 com o fim da geração 933 do modelo 911. Esse novo projeto não é uma regressão, mas sim, um recurso híbrido: a marca elaborou um sistema que harmoniza a refrigeração líquida convencional com o fluxo de ar forçado de alta capacidade, com o objetivo de aprimorar a aerodinâmica e limitar o peso dos esportivos.

O motor boxer de seis cilindros segue dependendo das galerias de líquido de arrefecimento. O aperfeiçoamento habita no encapsulamento do conjunto mecânico, dentro de uma volumosa estrutura que direciona o ar. Uma ventoinha ampliada puxa o fluxo externo, pressionando-o não somente sobre o bloco do motor e o cárter (que retornam a mostrar as clássicas aletas de dissipação térmica), mas também sobre o sistema de escapamento e os turbocompressores.

Eficácia aerodinâmica e sofisticação mecânica

O benefício da tecnologia é conceder a diminuição rigorosa das dimensões dos radiadores frontais. Em outras situações, a Porsche considera usar apenas um radiador compacto na parte traseira do veículo, o que reduz o arrasto aerodinâmico frontal, rebaixa o volume de líquido circulante e ameniza o empenho contínuo da bomba d’água, trazendo maior eficiência energética.

A vantagem aerodinâmica, no entanto, cobra o preço na complexidade mecânica. Para gerir o grande volume de ar (avaliado em 5.800 pés cúbicos por minuto, o dobro da capacidade produzida pelas ventoinhas dos antigos 911), o sistema demanda controle rigoroso. A patente relata que a hélice contará com sua própria embreagem e uma pequena transmissão com variadas marchas para adaptar a velocidade de rotação à pedido térmico do motor.

Planejada para utilização em veículos de motor central ou traseiro, como as linhas do 718 e 911, o recurso ainda não tem data comprovada para chegar as linhas de montagem. Porém, o registro demonstra o empenho da engenharia de Stuttgart em desviar das exigências ambientais atuais, sem desfigurar a arquitetura que santificou a marca.