Óleo lubrificante: 10 verdades e mitos que estão encurtando ou protegendo a vida do motor do seu carro

Especialista da Castrol esclarece o que é fato e o que é lenda sobre viscosidade, intervalo de troca, borra e desempenho

Sempre faça a troca de óleo correta - Blog Delta Fiat/Reprodução

Optar pelo óleo lubrificante ainda é uma decisão cheia de dúvidas, recomendações irreais e ”dicas” de mecânico para mecânico; nem tudo que se escuta na oficina ou em redes sociais é verdade. Segundo Wellington Santos, especialista em tecnologia de produto da Castrol, grande parte dos problemas de desgaste prematuro está associado à desinformação.

“O óleo é um componente de engenharia. Ele é formulado com óleos básicos, pacote de aditivos e focados em especificações técnicas da indústria e de montadoras. Não é tudo igual e não pode ser escolhido apenas pelo preço”, afirma o especialista.

Em seguida, ele esclarece cinco mitos e cinco verdades sobre óleos lubrificantes automotivos. Venha conferir!

Os 5 mitos sobre o óleo lubrificante

“Óleo mais grosso protege mais o motor”: MITO

A viscosidade adequada é aquela sugerida pela montadora. Um óleo mais espesso do que o recomendado pode atrasar para circular pelo motor, principalmente no momento da partida, o que prolonga o desgaste justamente no momento mais crítico.

“A viscosidade não é sinônimo de proteção extra. Se o motor foi projetado para 5W-30, usar 20W-50 pode prejudicar circulação, desempenho, consumo de combustível e emissões”, explica Wellington.

O primeiro número antes do ”W” prescreve a viscosidade do lubrificante a frio; o segundo, a viscosidade em altas temperaturas. Cada motor é idealizado para trabalhar dentro de uma faixa específica.

“Se o carro roda pouco, não precisa trocar o óleo”: MITO

Mesmo parado, o óleo passa por degradações químicas: oxidação, absorção de umidade e contaminações por combustível podem corromper sua eficiência. Trajetos curtos são vistos como uso severo, pois o motor muitas vezes não chega à temperatura ideal por tempo suficiente, o que favorece o desenvolvimento de depósitos.

Produtos com foco em limpeza são desenvolvidos para combater as três principais causas das borras, que são o calor, poluentes e viagens curtas, auxiliando a manter o motor mais limpo ao longo do tempo.

“Todo óleo sintético é igual”: MITO

Além do tipo de base (mineral, semissintética ou sintética), a diferença está no pacote de aditivos e na tecnologia presente. Há linhas 100% elaboradas para motores modernos e de altos requisitos, como Castrol EDGE, que são voltadas para resistência sob pressão excessiva e redução de atrito em alta carga e temperatura.

“A informação da base sintética no rótulo é só uma parte do perfil do produto. É preciso observar também as normas como SAE, API e ACEA, além das especificações dos fabricantes de veículos que são classificações técnicas que indicam o nível de desempenho e qualidade dos óleos lubrificantes para motores.”, destaca Wellington.

“Óleo escuro significa que ele perdeu a validade”: MITO

O escurecimento pode indicar que o óleo está realizando sua função de limpeza, mantendo as partículas em suspensão até a troca. Lubrificantes com detergentes e dispersantes são desenvolvidos para evitar que resíduos, como os oriundos da queima de combustível, se depositem nas superfícies internas do motor. A cor, sozinha, não é um parâmetro técnico seguro.

“Posso completar com qualquer óleo, se for da mesma viscosidade”: MITO PARCIAL!

Mesmo que a viscosidade seja semelhante, as formulações podem ter aditivos diferentes e servir normas distintas. “Em emergências, é possível completar com óleo da mesma especificação. Mas o ideal é manter o produto até a troca para preservar a performance original da formulação”, orienta Wellington.

As 5 verdades sobre o óleo lubrificante

“A maior parte do desgaste ocorre na partida”: VERDADE

Aproximadamente 75% do desgaste do motor ocorre no momento da partida, quando o óleo ainda não circulou totalmente. Em trânsito urbano com movimentos de anda-e-para constantes, esse ciclo se repete várias vezes ao decorrer do dia.

Pensando nisso, já existem tecnologias desenvolvidas para proteger esse momento: a linha Castrol MAGNATEC, que possui uma técnica que adere às superfícies metálicas, estabelecendo uma camada protetora mesmo com o motor desligado, ajudando a reduzir os desgastes em 50%.

“Óleo influencia no consumo de combustível”: VERDADE

Menos atrito, menos perda de energia. Lubrificantes desenvolvidos para diminuir o atrito podem auxiliar para melhor eficiência do motor.

“Quando há menos contato metal-metal, o motor trabalha de forma mais eficiente. Isso pode refletir em economia de combustível, dependendo do veículo e das condições de uso”, afirma Wellington.

“Normas técnicas são tão importantes quanto a marca”: VERDADE

As siglas como API, ILSAC ou ACEA demonstram padrões de desempenho mínimos, que são exigidos pela indústria. Além disso, as montadoras apresentam especificações próprias. Usar um óleo sem esses requisitos pode afetar as emissões, durabilidade e até a garantia do veículo. Vale destacar a importância do trabalho da ANP (Agência Nacional de Pétroleo, Gás e Biocombustível), na regulamentação de lubrificantes no país e no seu programa de fiscalização no mercado.

“Borra pode comprometer seriamente o motor”: VERDADE

A borra é a consequência da oxidação, calor excessivo, contaminações e trajetos curtos constantes. Ela pode danificar a circulação do óleo e comprometer a lubrificação. Produtos desenvolvidos com foco em limpeza, como os da linha Castrol GTX, removem depósitos de borra mantendo as partículas suspensas e auxiliando a prevenir novos acúmulos.

“Uso urbano é considerado uso severo”: VERDADE

Trânsito excessivo, partidas frequentes, motor trabalhando pouco tempo na temperatura correta e variações térmicas constantes caracterizam o uso severo. Atualmente, muitos motoristas vivem em condições rigorosas mesmo sem perceberem, o que reforça a importância de seguir o manual do proprietário do veículo e optar por um lubrificante apropriado à rotina de uso, considerando a recomendação do intervalo da troca com base na severidade citada.

“O óleo lubrificante não é apenas um fluido, mas sim parte estrutural da engenharia do motor. Ele controla atrito, ajuda na limpeza interna, contribui para a eficiência térmica, durabilidade, economia de combustível e emissões mais limpas”, conclui o técnico da Castrol.