O mercado automotivo chinês envia uma grande quantidade de carros elétricos novos diretamente para o ferro-velho. O país asiático vive uma tendência de consumo que transforma os veículos em bens de curta duração.
Eles funcionam de maneira muito semelhante aos aparelhos celulares. Como resultado prático, os motoristas descartam os automóveis após apenas dois ou três anos de uso.
Esse fenômeno ocorre devido ao envelhecimento rápido da tecnologia embarcada. Atualmente, os sistemas de software e as baterias evoluem em um ritmo superior ao da estrutura metálica.
Por isso, o custo de um reparo na oficina supera o valor de um modelo recém-saído da fábrica. Esse cenário gera um grande alerta para as montadoras tradicionais que operam no mercado mundial.
O peso da tecnologia
Os ciclos de inovação tecnológica são bastante curtos e deixam os modelos obsoletos rapidamente. O consultor automotivo Xing Zhou avalia que o desenvolvimento das baterias avança muito mais rápido que a própria indústria de veículos.
Consequentemente, os jovens chineses já consideram um carro com dois anos de uso como um modelo antigo e ultrapassado.
Além disso, a guerra de preços no mercado oriental acelera esse descarte precoce. Apesar de o Brasil contar algumas opções acessíveis no mercado, as fabricantes asiáricas gastam menos de 20 mil euros (em torno de R$ 117 mil) para produzir um automóvel elétrico básico.
No entanto, a troca de uma bateria defeituosa exige um investimento aproximado de 10 mil euros (R$ 58 mil). Portanto, o conserto perde totalmente o sentido econômico para o dono do carro.
Cemitérios a céu aberto
Diante dessa conta financeira desfavorável, os proprietários preferem comprar um veículo zero quilômetro. A China praticamente não possui um mercado funcional de carros usados.
As opções de aluguel de longo prazo também são extremamente raras na região. Desse modo, os automóveis rejeitados lotam enormes depósitos. Esses espaços formam cemitérios visíveis de uma indústria focada apenas na venda de unidades novas.
O governo chinês apoia indiretamente essa dinâmica comercial. No plano econômico atual, o Estado decidiu eliminar os antigos subsídios financeiros do setor. Os modelos elétricos já custam menos que os carros movidos a combustão no país.
Assim, a própria concorrência atua para regular os valores finais nas concessionárias. Os fabricantes desenvolvem seus projetos com base em um limite financeiro rigoroso. Quem oferece a tecnologia essencial pelo menor custo ganha o consumidor.
O choque com a Europa
Os especialistas do setor preveem um futuro desafiador para as empresas asiáticas. Essa forte pressão nos preços forçará uma consolidação agressiva do mercado nos próximos dois anos.
Nessa luta pela sobrevivência corporativa, muitas marcas de veículos desaparecerão definitivamente das ruas.
Por outro lado, o formato do carro descartável dificilmente alcançará os países europeus. No continente, as montadoras tradicionais priorizam a durabilidade mecânica de seus produtos.
Essa dificuldade também já chegou ao continente americano: uma pesquisa realizada no México indicou que os automóveis elétricos têm perdido o seu valor justamente devido à pressa das fabricantes na inovação.
As noções rígidas de sustentabilidade entram em choque direto com o ritmo acelerado da produção chinesa. Igualmente, os altos preços cobrados pelos veículos novos na Europa impedem o avanço desse comportamento de consumo rápido.
