Câmbio CVT: sua história, como funciona, vantagens e desvantagens

O CVT é uma tecnologia antiga, mas só começou a dominar o mercado atualmente

Duster, que tem o câmbio CVT - Renault/Divulgação

Quando for comprar um carro automático, você pode encontrar diferentes tipos de câmbio como o CVT, automatizado e conversor de torque. Hoje, falaremos do CVT.

Continua após a publicidade

O câmbio CVT

O CVT é uma abreviação que significa continuously variable transmission (em português, transmissão continuamente variável). Ele é usado para denominar um sistema com duas polias de tamanhos diferentes e uma correia metálica de alta resistência, mas há outras variações que comentarei mais adiante. Comparando com a transmissão automática por engrenagens, o CVT é mais suave e gradual em seu funcionamento, e essa tecnologia é bem antiga.

A história do câmbio CVT

O primeiro rascunho do CVT foi criado por Leonardo Da Vinci, em 1940. Seu objetivo era aprimorar a eficiência do trabalho agrícola, que era praticado por animais. Alguns documentos de época foram restaurados e revelaram seu funcionamento.

A ideia se manteve esquecida por alguns séculos, até 1886, onde a primeira patente do projeto foi registrada: nos primeiros anos, as transmissões CVT foram integradas às motos da fabricante britânica Zenith Motorcycles, que demonstraram eficiência por ter o funcionamento simples.

Continua após a publicidade

Já nos anos 50, a fabricante holandesa DAF começou a produção do pequeno 600, com o objetivo de prover a necessidade do mercado europeu por modelos compactos na restauração pós-Guerra. Infelizmente, o pequenino foi um fiasco em vendas e permaneceu por menos de cinco anos em linha, mas apresentou a nova tecnologia Variomatic mundialmente.

Este câmbio foi desenvolvido pelo engenheiro holandês Hub Van Doorne, que conciliou o conceito do CVT já utilizado nas motocicletas da Zenith (com uma correia e duas polias) para os automóveis de passeio.

Essa tecnologia levou um tempo para ganhar destaque na indústria; isso só ocorreu em 1989, quando a Subaru estreou o Justy, um compacto com o câmbio CVT. Assim, as outras fabricantes japonesas passaram a reconhecer esse sistema.

Continua após a publicidade

Posteriormente, marcas como a Honda, Toyota e Nissan também começaram a apostar no CVT, acreditando que o conforto e o ótimo consumo iriam atrair mais clientes. Apesar dos desafios, essa nova transmissão ganhou espaço no mercado, e as fabricantes nacionais também buscaram essa tecnologia.

Os tipos de CVT

Após décadas de pesquisas e aprimoramentos, as marcas japonesas criaram suas próprias definições de câmbio CVT; um deles é o tipo toroidal, criado pela Nissan, que possui melhor desempenho em taxas mais elevadas de torque. Neste sistema, a marca estabeleceu dois rolamentos para variar as relações entre as polias, substituindo as correias, o que possibilita variações mais ágeis na velocidade do carro, diferente do CVT convencional que traz um comportamento mais gradual e suave.

O CVT de fricção (ou CVT por cone) é uma outra variação, que possui dois cones em direções opostas que rotacionam interligados por uma correia. Ele não tem uma transferência de torque maior quanto o CVT toroidal, porém é superior aos modelos convencionais.

Continua após a publicidade

Os prós e contras

Uma das vantagens deste câmbio é seu comportamento suave e progressivo, já que esse tipo de transmissão também permite uma entrega de torque apropriada para cada velocidade, focando em eficiência energética. Portanto, os modelos CVT normalmente são um pouco mais econômicos que os outros automáticos convencionais.

O contra começa no valor da manutenção, que é elevado pela complexidade e mão de obra especializada. Alguns proprietários também se queixam por ruídos na cabine, pois o som do motor vai aumentando conforme as rotações sobem. Para amenizar esse problema, as montadoras usam câmbios CVTs programados eletronicamente para simular as marchas.