Automotor

As mudanças do Honda City para agradar saudosistas do Civic

O sedã compacto Honda City evoluiu expressivamente em sua atual geração, particularmente na versão "top" Touring

Luiz Humberto Monteiro Pereira - AutoMotrix

Publicado em 28/08/2022 às 07:37

Atualizado em 28/08/2022 às 10:18

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No interior do City sedã Touring, o padrão de acabamento e de materiais fica acima da média em relação ao dos sedãs compactos nacionais / Luiza Kreitlon/AutoMotrix

Quando o Civic deixou de ser fabricado no país, em dezembro do ano passado, deixou várias “viúvas”. Afinal, o sedã médio conquistou fãs no país desde o início de sua importação, em 1992, e principalmente depois que passou a ser produzido na fábrica paulista de Sumaré, em 1997. Dividiu por décadas com o Toyota Corolla o protagonismo do segmento de sedãs e chegou a superar as vendas do arquirrival em algumas ocasiões. Enquanto a Honda não cumpre a previsão de reinserir o Civic em suas concessionárias brasileiras, agora como modelo importado – o que deve acontecer até 2023 –, a tarefa de atender aos admiradores dos sedãs da marca fica para o City. Para dar conta, a nova geração do sedã compacto fabricado na cidade paulista de Itirapina chegou às concessionárias brasileiras em janeiro deste ano. O modelo ficou maior, evoluiu em ergonomia e na estrutura. O motor 1.5 flex ganhou alterações no cabeçote e passou a ter injeção direta de combustível. E a versão Touring, a topo de linha, ganhou o sistema de assistência ao motorista denominado Honda Sensing.

Para não decepcionar visualmente os saudosistas do médio Civic, o novo City cresceu em comprimento (9,4 centímetros) e largura (5,3 centímetros). Também ficou mais baixo imperceptíveis oito milímetros, mas a distância entre-eixos de 2,60 metros foi mantida. Com seus atuais 4,55 metros de comprimento, 1,47 metro de altura e 1,75 metro de largura, o City sedã é 29 centímetros mais longo que o Hyundai HB20S, 19 centímetros em relação ao Fiat Cronos, oito centímetros ante o Chevrolet Onix Plus e 12 centímetros mais curto que o sedã médio Chevrolet Cruze. Ou seja, o modelo da Honda é maior que os rivais compactos e efetivamente assume uma posição intermediária entre os três volumes compactos e os médios.

A estética frontal da nova geração do City é marcada por uma ampla faixa cromada, com ares de “sorriso metálico”, que atravessa o carro de fora a fora, sublinhando a tampa do capô. Os faróis e lanternas têm tecnologia de leds – na versão Touring, são em full-led, com luzes indicadoras de direção, fachos baixo e alto, DRL e auxiliares de neblina em leds. As rodas são de liga leve com aro de 16 polegadas em todas as variantes, com acabamento frontal diamantado e pintura na cor preta. Como também ocorre na versão hatch do City, os retrovisores externos são posicionados na porta e não na coluna frontal, para aumentar o campo de visão. A área envidraçada é ampla e as colunas das portas têm apliques em preto. O porta-malas tem capacidade de 519 litros, superando os 485 litros da geração anterior do sedã.

No interior, os bancos frontais têm um Sistema de Estabilização Corporal, para melhorar o suporte do corpo e reduzir a sensação de cansaço. O Magic Seat oferece quatro modos de utilização para acomodar objetos de diferentes dimensões. As versões EXL e Touring trazem botão de partida do motor, sistema de travamento e abertura por aproximação pela chave (Smart Entry), ar-condicionado digital e automático, espelhos com rebatimento automático, central multimídia “touchscreen” de 8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, câmera de ré com multivisão, sensores de estacionamento traseiros, bancos revestidos em couro e painel digital de TFT de 7 polegadas multiconfigurável.

Com cabeçote, bloco e cárter de alumínio, o motor do Honda City sedã Touring é um quatro cilindros 1.5 16V DI DOHC i-VTEC Flex aspirado que conta com sistema de injeção direta de combustível para permitir maior taxa de compressão e otimização da combustão, gerando mais eficiência. O motor funciona em conjunto com a transmissão CVT com modos “Sport” e “Econ” e aletas no volante para acionamento manual das marchas simuladas. A potência é de 126 cavalos a 6.200 rpm e o torque é de 15,8 kgfm a 4.600 giros.

Novidade na versão Touring, o sistema de tecnologias de assistência ao motorista Sensing agrega controle de velocidade adaptativo, sistema de frenagem automática para identificar veículos e pedestres à frente, assistente de permanência na faixa com ajuste na direção, sistema de detecção de saída de pista com interferência na direção e farol alto automático que muda para o facho baixo para não ofuscar motorista de carro em sentido contrário. A versão de topo do sedã da Honda traz ainda o assistente de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, sistema de luzes de emergência, airbags frontais, laterais e do tipo cortina, estrutura de deformação progressiva ACE, sistema Isofix para fixação de assentos infantis, alerta de baixa pressão dos pneus, câmera de ré multivisão e o LaneWatch, assistente para redução de ponto cego que, quando a seta para a direita é acionada, coloca na tela do multimídia as imagens de uma câmera localizada na carenagem do espelho do lado do passageiro. O preço do City sedã Touring parte de R$ 126.990, porém, o valor pode variar de acordo com as tributações estaduais (em São Paulo, é de R$ 130.990).

Experiência a bordo
Patamar de cima

Na geração anterior do City, sobretudo na cabine, ficava evidente que se tratava de um sedã de acesso da Honda. Já no interior do City sedã Touring da atual geração, o padrão de acabamento e de materiais fica acima da média em relação aos sedãs compactos nacionais, com detalhes que reforçam a sofisticação. A posição de dirigir é fácil de se encontrar, com coluna de direção com regulagem de altura e profundidade. O volante multifuncional revestido em couro tem boa pegada e permite operar o multimídia e os sistemas semiautônomos. O painel de estilo esportivo oferece visualização correta das informações e os bancos dão bom apoio ao corpo. Há espaço suficiente para pernas e cabeças na frente e atrás. A forração dos bancos em material sintético de cor clara ajuda a sofisticar o ambiente.

A central multimídia de 8 polegadas com espelhamento de smartphones com processadores Android ou iOS sem necessidade de fios. Um destaque interno do City, presente também na configuração hatch, é o Magic Seat, o sistema de modularidade “herdado” do Fit. Com seus modos de utilização “Utility”, “Long”, “Tall” e “Refresh”, ajuda a viabilizar a acomodação de objetos de dimensões complicadas de se levar em compactos. Contudo, em contraste com a utilização inteligente dos espaços do ambiente interno do sedã, uma grande alavanca de freio de estacionamento marca uma dispensável presença entre os bancos frontais – inusitadamente, o City não oferece freio eletrônico de estacionamento, nem na versão Touring. Em uma versão topo de linha, um porta-luvas com iluminação cairia bem, mas não está presente.

Impressões ao dirigir
Diferentes jeitos

No City sedã Touring, o motor 1.5 de quatro cilindros aspirado conta com injeção direta de combustível e dois comandos de válvulas no cabeçote – um para as oito válvulas de escape e outro para as oito de admissão. Ele entrega 126 cavalos a 6.200 rpm, abastecido com gasolina ou etanol, e 15,8 kgfm a 4.600 rpm de torque com etanol (15,5 kgfm com gasolina no mesmo giro). O câmbio tipo CVT com “paddles shifts” foi recalibrado e traz uma simulação de 7 marchas. Ao colocar a alavanca do câmbio na posição “D” e acelerar, o sedã arranca forte e desenvolve velocidade rapidamente.

Em uma utilização mais pacata, especialmente no modo “Econ” – que suaviza as respostas do acelerador e da caixa de câmbio para priorizar a redução do consumo –, o sedã da Honda oferece passeios suaves e silenciosos. Com o uso de “paddles shifts” para acionamento manual das 7 marchas simuladas no volante e o acionamento do modo “Sport”, a personalidade do sedã muda e a performance torna-se bem mais empolgante. Com o Step-Shift, ao dar um “kick-down” (pisar com força o acelerador até o fundo), a central de gerenciamento eletrônico do CVT coordena as trocas nos pontos fixos das marchas, para acentuar a sensação de esportividade. Em situações de descida, quando o motorista precisar pisar no freio para conter o ganho de velocidade por conta da inclinação, o EDDB (Early Down-shift During Braking ou frenagem precoce nas decidas) faz o CVT assumir automaticamente uma relação que resulta em maior aplicação de freio-motor, para aumentar a segurança sem afetar o consumo nem sobrecarregar os freios.

A suspensão do City sedã absorve bem os impactos e proporciona conforto. Nas manobras de estacionamento, a câmera de ré e os vários sensores facilitam a vida. Na estrada, quando o giro do motor sobe – em ultrapassagem ou em subida íngreme –, o “powertrain” fica rumoroso, o que é uma característica comum nos modelos com câmbio CVT. Mas o carro não perde velocidade e as retomadas ocorrem com segurança. A direção elétrica é firme nas curvas em alta e suave nas manobras de estacionamento. Os sistemas de auxílio ao motorista do sedã compacto “top” da Honda são impressionantes e entregam uma direção mais segura. Pelo Inmetro, o City Touring 2022 faz 9,2 km/l na cidade e 13,1 km/l na estrada quando abastecido com etanol e 10,5 km/l no ciclo urbano e 15,3 km/l nas rodovias com gasolina. Números que renderam uma classificação A no Programa Brasileiro de Etiquetagem

Ficha Técnica
Honda City sedã Touring

Motor: quatro cilindros em linha, 1.5 litro, 1.497 cm3, 16 válvulas, flex, injeção direta com comando variável I-VTEC e VTC
Potência: 126 cavalos a 6.200 rpm (gasolina/etanol)
Torque: 15,8 kgfm (etanol) / 15,4 kgfm (gasolina) a 4.600 rpm
Câmbio: CVT de 7 marchas simuladas
Direção: eletro-assistida
Suspensões: MAcPherson (dianteira) e eixo de torção (traseira)
Freios: discos ventilados (dianteira) e tambores (traseira)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,55 metros de comprimento, 1,75 metro de largura, 1,47 metro de altura e 2,60 metros de entre-eixos
Pneus: 185/55 R16
Porta-malas: 519 litros
Tanque: 44 litros
Preço: R$ 126.990, mas pode variar de acordo com as tributações estaduais (em São Paulo, parte de R$ 130.990).

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