Automotor

A lei que 'matou' o carro mais clássico do Brasil após 56 anos de sucesso absoluto

Famoso por sua versatilidade nas ruas desde 1957, o veículo não resistiu às novas exigências de segurança do Contran e foi proibido de continuar nas fábricas

Fábio Rocha

Publicado em 09/04/2026 às 10:03

Atualizado em 09/04/2026 às 11:18

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Após 56 anos ininterruptos, a Volks precisou acatar a lei e encerrar a produção do modelo / Imagem ilustrativa

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Não foi a queda nas vendas ou a perda de interesse do público. O carro com o maior tempo de produção contínua no Brasil foi forçado a sair de cena por exigências legais.

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A partir de 2014, uma nova legislação de trânsito tornou obrigatória a inclusão de airbags duplos frontais e freios ABS em todos os veículos zero quilômetro fabricados no país.

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Foi esse o obstáculo intransponível que "matou" a Volkswagen Kombi. O projeto estrutural da plataforma Tipo 2, concebido na década de 1950, simplesmente não possuía espaço físico ou viabilidade técnica na coluna de direção e no painel para abrigar esses modernos sistemas de segurança.

Após 56 anos ininterruptos, a Volks precisou acatar a lei e encerrar a produção do modelo em 18 de dezembro de 2013.

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O recorde que o Fusca não conseguiu bater

Se você apostava que o Fusca era o dono do título de carro mais longevo do Brasil, as pausas na produção o desclassificam.

O "Besouro" teve sua primeira fase nacional de 1959 até 1986 e, depois, um breve retorno com o "Fusca Itamar" (1993 a 1996).

O Volkswagen Gol também fica de fora dessa disputa específica, pois suas mudanças drásticas de plataforma ao longo de 43 anos fragmentaram sua identidade original.

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A Kombi, por outro lado, manteve sua estrutura base inalterada. Desde o início de sua produção nacional, em 2 de setembro de 1957, o utilitário passou apenas por atualizações cirúrgicas para sobreviver.

Se você apostava que o Fusca era o dono do título de carro mais longevo do Brasil, as pausas na produção o desclassificam / Pexels/Connor McManus

O segredo mecânico de sobrevivência

Antes de esbarrar na lei dos airbags, a Kombi já havia dibrado outras exigências ambientais de forma engenhosa.

Em 2006, o antigo e ruidoso motor 1200cc a ar precisou ser aposentado por conta das leis de emissões de poluentes.

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A solução da engenharia foi adaptar o motor 1.4 EA111 flex, refrigerado a água. A instalação de um radiador frontal mudou sutilmente a "cara" da Kombi, mas garantiu sua sobrevida comercial por mais sete anos.

Legado milionário

A interrupção abrupta por conta da lei transformou a Kombi quase imediatamente de um utilitário de trabalho pesado para um item de colecionador.

O encerramento gerou tanta comoção que a própria montadora promoveu a campanha de despedida “Os Últimos Desejos da Kombi”.

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Hoje, esse fim forçado tem um preço: unidades antigas e bem conservadas (especialmente as "Corujinhas", fabricadas até 1975) tornaram-se relíquias.

Com forte demanda para exportação para os Estados Unidos e a Europa, exemplares restaurados chegam a ser negociados por centenas de milhares de reais, provando que, embora a lei a tenha tirado das fábricas, o mercado garantiu sua imortalidade.

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