Nesta última terça-feira (26), a cidade de Itajaí (SC) presenciou uma força-tarefa graças à BYD: foram convocados 150 operários e 90 caminhões-cegonha para a rápida saída de um navio com 4.500 veículos da marca, que aportou no porto local. Essa operação foi feita ao longo de 24 horas, graças a um pedido logístico excepcional, fechando as ruas e criando uma rota de acesso aos caminhões através da BR-101; isso é apenas um teste para o próximo mês, já que outro navio da BYD surgirá mais cheio, com 7.200 veículos eletrificados.
Sua rival, Geely, também alcançou o recorde de importações ao país ultimamente. Outras marcas chinesas estão seguindo o mesmo caminho, graças a ”nova taxa” dos carros elétricos.
O que é esse novo imposto?
Três anos atrás, o Governo Federal estabeleceu um cronograma para exaltar progressivamente o imposto sobre carros elétricos e híbridos importados para o Brasil.
A ideia, temporariamente, seria propor o imposto menor, tendo em vista que tais modelos eram produzidos por aqui. Esse tributo elevaria gradualmente até 2026, para dar tempo as montadoras (inclusive as chinesas), implantarem suas fábricas.
Desse modo, em 2024 a alíquota partiu de:
- 10% para carros elétricos
- 12% para carros híbridos plug-in (PHEV)
- 0% para carros híbridos convencionais (HEV)
E, hoje, os valores partem de:
- 25% para carros elétricos
- 28% para carros híbridos plug-in (PHEV)
- 30% para carros híbridos convencionais (HEV)
Em julho de 2026, acontecerá a principal majoração; todos esses três grupos terão de arcar com 35% de imposto de importação. As fabricantes têm até 30 de junho de 2026 para prosseguir importando com a isenção de certos valores.
Para os híbridos, as cotas em dólar atualmente valem US$ 43 milhões; híbridos plug-in, US$ 75 milhões e, para os elétricos, US$ 141 milhões.
Corrida contra o relógio
Com o cenário ainda mais intenso, há o fato de que o mercado está bem intensificado, e a procura pelos carros elétricos nunca foi tão gigantesca no Brasil. Segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), no 1º trimestre de 2026 foram 83.497 automóveis emplacados, 110% a mais no mesmo período de 2026, e, basicamente, o mesmo que registrado em todo o ano de 2023.
Sem dúvidas é um número elevado do que as marcas haviam previsto, já que o Geely EX 2, exemplificando, teve seu primeiro lote esgotado antes do prazo. Como as rotas dos navios Ro-Ro (assim são chamadas as embarcações que transportam automóveis) são pouco maleáveis, a única maneira foi reter as entregas (que despencaram) até que os novos lotes chegassem aqui.
Para não limitar a demanda, a Geely precaveu-se: em março, o navio Tong Hong atracou no porto de Paranaguá (PR) com 3.370 unidades do EX 2 e o EX 5, o SUV médio da marca. Em 5 de maio, foi a vez do Ro-Ro Saic Anji Harmony, trazendo 5.101 veículos de marcas chinesas diversas. Até o fim de Julho, segundo o levantamento do UOL Carros, a quantidade de automóveis que chegarão por aqui pode bater as 20.000 unidades, com um lote extra da Geely.
A partir do segundo semestre, o cenário muda de feição, esperando uma queda no volume embarcado da China, como ocorreu em fevereiro (11% a frente de janeiro). A Anfavea, inclusive, reconheceu que o início das operações da BYD em Camaçari (BA) e da GWM em Iracemópolis (SP) tem peso no rendimento.
Por certo tempo, a tendência é de que os navios continuem atracando com mais kits CKD e SKD e menos veículos prontos (movimento revigorado por uma segunda leva de montadoras chinesas como a Omoda & Jaecoo, Zeekr e GAC, que comunicaram a produção local no país.
Sob outra perspectiva, com as fábricas ainda em processos de ampliação, o país deve prosseguir recebendo lotes significativos dos navios Ro-Ro, mesmo após essa alíquota de 35%, pagando o tributo cheio. Desse modo, serão chegadas precisas, comandadas pelo sucesso de carros que não terão a produção nacional.






