Artesãs transformam hobby em negócio e mantêm viva a tradição da Feirarte

De veteranas com 40 anos de praça a novas empreendedoras do amigurumi, a diversidade de produtos reflete a resistência de comerciantes antigos e a chegada de novas propostas sustentáveis à feira

Uma fotografia colorida, de plano médio e em nível dos olhos, mostra uma mulher branca, de cabelos escuros presos e usando óculos de grau, sorrindo e segurando um brinquedo de polvo de crochê laranja e amarelo. Ela veste uma camiseta branca com estampa abstrata em azul e verde. A mulher está atrás de uma mesa coberta com um pano branco e repleta de diversos brinquedos de crochê artesanais, organizados em fileiras. Os brinquedos retratam personagens famosos da cultura pop, incluindo super-heróis como Wolverine, Deadpool e Pantera Negra; personagens de animação como Goku (Dragon Ball), Pikachu (Pokémon), Bela (A Bela e a Fera) e Totoro (Meu Amigo Totoro); e outros bonecos originais. Há também pequenas placas com informações de preço e códigos QR ao lado dos bonecos, e uma garrafa de água atrás. A cena se passa em uma barraca de feira em uma praia, com a areia clara e o mar azul claro ao fundo. Algumas palmeiras e montanhas ao longe completam a paisagem. No canto superior esquerdo, há uma lona de teto de cor bege com detalhes em azul escuro e um mastro. O chão é de cimento com textura de pedras pequenas.

Nathalia Oliva começou a vender suas bonecas on-line e com a Feirarte começou a vendê-las presencialmente (Gabriel Fernandes/DL)

O final da tarde de sábado se aproxima e as barracas começam a ser montadas. Nesse momento, peças artesanais e produtos de fabricação própria passam a ser comercializados. “Sempre ia à feira desde pequena com a minha mãe. Era como um mundo mágico para mim, ver tanta coisa legal junta”, relembra a artesã Nathalia Oliva. Recentemente, ela começou a fazer parte das barracas da Feirarte na Praça do Boqueirão, em Santos.

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Desde 2024, Nathalia comercializava bonecas de amigurumi, bichinhos de pelúcia de crochê, apenas de forma on-line. No entanto, ela percebeu na feira uma vitrine estratégica para expandir seus negócios. “Em abril foi meu primeiro mês e tive boas vendas. Além disso, fico muito feliz com os elogios que recebi das minhas peças”, comemora a artesã.

Da mesma forma, a crocheteira Katia Cristina de Andrade Gregório chegou há pouco tempo à Feirarte do Boqueirão para comercializar utensílios de “moda casa”. “Conheci a feira pela internet. Dessa forma, me interessei, e o contato direto com as pessoas tem sido ótimo”, comenta a profissional. Para ela, o trabalho vai além da venda. “Você não vende apenas crochê, mas conhece a história das pessoas, pois elas sempre lembram de familiares que faziam esse trabalho”.

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O legado de décadas

Enquanto algumas artesãs chegam agora, outras comerciantes ocupam o endereço há quase 40 anos, época em que o espaço era conhecido como “Feirinha Hippie”. É o caso de Elizete Santiago, a popular “Rainha do Tererê”, penteado versátil que adiciona um toque ao visual.

“Não tínhamos essas barracas e, no começo, o trabalho era feito no chão. Ao voltar de Salvador, na época do Bob Marley, trouxe a moda do tererê para Santos”, relembra Elizete. Graças ao seu esforço, ela sustentou os três filhos trabalhando no local. “Eu criei três filhos sozinha. Naquela época, não tinha pensão, pois meu marido havia ido embora. Hoje, um deles é formado em Direito e todos estão bem casados”, orgulha-se.

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Já a professora e artesã Maristela Silvera iniciou suas atividades na feira em setembro de 1989. Atualmente, ela foca na venda de ímãs temáticos de Santos. “Começamos com as muretas e, gradualmente, fomos criando outros souvenirs. Tenho até os ‘prédios tortos’, que atraem muito os turistas”, explica. Além disso, Maristela comercializa bonecos feitos de tampinhas de garrafa, ideia que surgiu por acaso em 2008.

“O foco é a sustentabilidade, pois transformamos material reciclado em artesanato ou brinquedo. Dessa maneira, evitamos que esse material pare nos manguezais”, ressalta. Maristela menciona ainda que a melhor época de vendas ocorre durante a temporada de cruzeiros e as férias de verão.

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Veja mais sobre os trabalhos das comerciantes na galeria abaixo:

Como participar da Feirarte?

Os interessados em participar da Feirarte devem ser pessoas físicas residentes em Santos, microempreendedores individuais (MEIs) ou microempresas sediadas no município. Contudo, o candidato deve cumprir todas as exigências previstas no edital do Diário Oficial.

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Geralmente, a Prefeitura de Santos anuncia as vagas por meio da Secretaria de Comunicação e Economia Criativa, pasta da Secretária Selley Storino, onde periodicamente, a pasta realiza um chamamento público para a “Feirarte” e para o “Feito em Santos Valongo”, as feiras fixas de economia criativa da cidade. A própria Feito em Santos gerencia a feira.

Os candidatos devem se inscrever em apenas uma feira (Boqueirão ou Aparecida) e em uma única categoria. Posteriormente, uma comissão julgadora avalia pontos como originalidade, processo artesanal, qualidade e sustentabilidade.

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Passei na seleção. Quais são os próximos passos?

Após a aprovação, o expositor pode ocupar até 4 metros quadrados de área. A autorização inicial é concedida por 60 dias, em caráter individual e intransferível. Por fim, a secretaria ressalta que os participantes devem seguir rigorosamente as regras de organização e apresentação de produtos previstas no regulamento.

Quando acontece a Feirarte?

A Feirarte do Boqueirão acontece todos os sábados, das 17h às 21h, , no calçadão da praia, em frente à av. Conselheiro Nébias. Já a Feirarte da Aparecida é sempre aos domingos, das 17h às 21h, na Praça Caio Ribeiro, em frente ao Sesc.
Em caso de chuva, as feiras são suspensas.

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Uma das maiores economias do Brasil

Segundo dados divulgados pelo Sebrae no começo de 2026, o artesanato brasileiro movimenta anualmente R$ 50 bilhões, transformando itens básicos como linhas de bordado, pedrarias e fitas de cetim em insumos para um exército de 8,5 milhões de trabalhadores.

Notadamente, as mulheres compõem a maioria desse contingente. Isso ocorre porque elas encontraram nas técnicas manuais sua principal fonte de renda e uma porta de entrada para o empreendedorismo.