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Arqueólogos encontram megaestrutura submersa de 7 mil anos mais antiga que as pirâmides de Gizé

Edificação encontrada perto da Ilha de Sein desafia pesquisadores sobre as técnicas de construção milenares e a vida antes do nível do mar subir

Nathalia Alves

Publicado em 31/03/2026 às 19:02

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A megaestrutura submersa de 3.300 toneladas na Bretanha revela segredos de uma civilização pré-histórica que dominava a engenharia costeira / Reprodução/Imagem feita por IA

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Em dezembro de 2025, a comunidade litorânea da ilha de Sein, na França, foi surpreendida por uma descoberta arqueológica. Uma muralha submersa de 7 mil anos tem 120 metros de extensão, pesa cerca de 3.300 toneladas e amplia o debate sobre antigas comunidades costeiras.

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Localizada perto da ilha, em meio ao oceano Atlântico, na ponta oeste da Bretanha, a muralha submersa foi confirmada como a maior edificação pré-histórica subaquática do país.

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A identificação inicial ocorreu em 2017. O geólogo aposentado Yves Fouquet analisava mapas do relevo oceânico quando encontrou anomalias geométricas que destoavam da paisagem natural e indicavam uma formação organizada.

Foi a partir da análise de dados da tecnologia LIDAR, a mesma usada para a investigação do povo maia, que foi empregada para mapear o relevo com alta precisão, que foi possível identificar melhor a estrutura. O resultado revelou formas incompatíveis com processos naturais e abriu caminho para a investigação arqueológica.

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A comprovação física da muralha submersa ocorreu entre 2022 e 2024. A equipe responsável realizou expedições para validar o que havia sido detectado nos mapas. Ao todo, foram feitos 59 mergulhos na área de interesse geológico. Os profissionais permaneceram cerca de 35 horas submersos, registrando imagens, documentando a estrutura e mapeando a formação de granito no local.

Além da muralha, os pesquisadores identificaram outras 11 estruturas menores de origem humana na mesma região. O conjunto ampliou a relevância do achado e mostrou que a muralha submersa não está isolada.

Cientistas investigam se a estrutura de 7 mil anos servia como armadilha gigante para peixesCientistas investigam se a estrutura de 7 mil anos servia como armadilha gigante para peixes/ Divulgação/International Journal of Nautical Archaeology

Datação e funções investigadas da muralha

A datação oficial indica que o complexo foi construído entre 5.800 e 5.300 a.C., no final do período Mesolítico. Isso significa que a muralha é muito mais antiga do que monumentos famosos como Stonehenge e as pirâmides de Gizé, o que reforça a importância histórica do achado e mostra que já existiam construções organizadas bem antes do que se imaginava.

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Naquele período, o nível do mar era cerca de 7 metros mais baixo do que hoje. A área onde a muralha está localizada atualmente ficava em terra firme ou em uma zona costeira próxima, com planícies e pequenas elevações.

Esse cenário ajuda a entender por que uma estrutura desse porte foi construída ali. Com o passar do tempo e o fim da última era glacial, o gelo derreteu, o nível do mar subiu e a região acabou sendo inundada, deixando a muralha submersa por milhares de anos.

Os pesquisadores ainda estudam qual seria a função original da estrutura e trabalham com duas hipóteses principais. A primeira sugere que a muralha era usada como uma grande armadilha de peixes. Nesse caso, ela serviria para direcionar cardumes para áreas rasas, onde os peixes ficavam presos durante a maré baixa, facilitando a captura em larga escala.

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Confira o vídeo da expedição: 

Essa hipótese indica que os grupos humanos da época já tinham um bom conhecimento do comportamento dos animais marinhos e sabiam explorar os recursos naturais de forma eficiente.

A segunda hipótese aponta que a muralha poderia funcionar como um tipo de dique ou barreira de proteção. Nesse cenário, a estrutura teria sido construída para proteger comunidades costeiras contra o avanço gradual do mar, que já ocorria naquela época devido às mudanças climáticas naturais. A forma como os blocos de granito foram organizados, criando uma barreira contínua e resistente, reforça essa possibilidade.

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A megaestrutura submersaApós anos de análise com tecnologia LIDAR pesquisadores confirmam a existência de um complexo monumental submerso/Divulgação

As duas interpretações ainda estão sendo investigadas, e novas expedições devem ajudar a esclarecer a função exata da muralha. Os cientistas esperam encontrar mais evidências, como ferramentas, restos de alimentos ou outros vestígios de ocupação humana, que possam indicar com mais precisão como essa estrutura era utilizada no passado.

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