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Arqueólogos descobrem túmulo de 5 mil anos com ossos de pai e filha na Suécia

Pesquisa com DNA de sepulturas da Idade da Pedra revela que maioria dos enterros conjuntos não era de pais e filhos, mas sim de parentes distantes

Nathalia Alves

Publicado em 20/02/2026 às 13:31

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Análise genética mostra que adolescente foi sepultada com ossos do pai, enquanto outras covas revelam primos e tias enterrados juntos / Divulgação/Göran Burenhult (CC BY)

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Um raro cemitério da Idade da Pedra localizado na ilha sueca de Gotland guardava segredos que só agora a genética pôde revelar. Um novo estudo de DNA identificou túmulos pertencentes a alguns dos últimos caçadores-coletores da Europa e trouxe à tona uma descoberta emocionante, o sepultamento de uma adolescente com os ossos de seu pai depositados sobre e ao lado dela.

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A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (18) no periódico Proceedings of the Royal Society B, analisou quatro sepulturas múltiplas do sítio arqueológico de Ajvide, na oeste da ilha de Gotland. O local foi escavado pela primeira vez em 1983 e revelou 85 sepulturas da Cultura da Cerâmica Perfurada, uma sociedade que habitou a região há cerca de 5.500 anos.

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Caçadores em meio a agricultores

Embora a agricultura já fosse uma prática estabelecida na Europa nesse período, esses grupos mantinham seu modo de vida tradicional na Escandinávia, dedicando-se à caça de focas e à pesca.

O sítio de Ajvide foi ocupado continuamente por pelo menos quatro séculos, preservando os restos de uma das últimas comunidades de caçadores-coletores do continente.

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Surpresas genéticas

Os pesquisadores partiram com a hipótese de que os sepultamentos múltiplos abrigassem principalmente parentes de primeiro grau, como pais e filhos. Mas o DNA revelou um cenário mais complexo.

Em uma das covas, uma mulher foi enterrada com duas crianças. Os pequenos, um menino e uma menina, eram irmãos biológicos, mas a mulher não era a mãe deles. A análise apontou que se tratava de uma parente mais distante, como uma tia ou meia-irmã. Em outro túmulo, um menino e uma menina jaziam juntos, mas a genética mostrou que eram primos de terceiro grau.

Segundo Helena Malmström, arqueogeneticista da Universidade de Uppsala e coautora do estudo, os resultados contrariam a presunção comum de que enterros conjuntos seriam exclusivos para pais e filhos.

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A diversidade de parentesco encontrada indica que a sociedade da época possuía um conhecimento apurado de suas linhagens e mantinha laços familiares estendidos mesmo após a morte.

Pai e filha

A quarta sepultura analisada, no entanto, guardava uma exceção notável. Nela, uma adolescente foi enterrada de costas, com uma pilha de ossos disposta sobre seu corpo. As análises confirmaram que os restos pertenciam ao pai da garota.

Como a morte dele ocorreu provavelmente antes da dela, seus ossos foram desenterrados e transferidos para o túmulo da filha como parte de um rito funerário específico – uma prática que sugere rituais complexos de homenagem e memória dentro dessa cultura.

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Próximos passos

A pesquisa é pioneira na investigação de laços familiares entre caçadores-coletores neolíticos. Agora, os cientistas planejam analisar o restante dos esqueletos de Ajvide para mapear a estrutura social completa deste antigo grupo e entender como essas comunidades organizavam seus vínculos de parentesco, rituais e modos de vida em um período de profundas transformações na Europa.
 

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