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Arqueólogos descobrem indícios do primeiro 'zoológico' da China na Dinastia Shang

Sinos de bronze encontrados em esqueletos de animais selvagens sugerem cativeiro e manejo intencional pela elite imperial há mais de 3 mil anos

Nathalia Alves

Publicado em 22/01/2026 às 11:55

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Escavações revelam que a elite Shang mantinha tigres, lobos e aves exóticas em jardins reais para fins rituais e de exibição / Reprodução/ChinaScience

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Pesquisadores das Ruínas de Yin, um dos sítios arqueológicos mais importantes da China, em Anyang, fizeram uma descoberta capaz de transformar o entendimento sobre a relação entre humanos e animais na Idade do Bronze.

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Evidências indicam que o local abrigava uma espécie de cativeiro primitivo de animais selvagens, possivelmente o primeiro zoológico da história chinesa, associado à elite da dinastia Shang (1600 a.C.–1046 a.C.).

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O estudo, conduzido entre 2023 e 2024 em 19 fossas funerárias, revelou uma diversidade impressionante de fauna, diferente dos vestígios típicos de caça. Os pesquisadores não apenas encontraram restos de vários animais, mas também 29 sinos de bronze em 13 das covas.

Sinos de bronze encontrados junto aos esqueletos confirmam o manejo e cativeiro de animais selvagens na Dinastia Shang. /Reprodução/ChinaScience
Sinos de bronze encontrados junto aos esqueletos confirmam o manejo e cativeiro de animais selvagens na Dinastia Shang. /Reprodução/ChinaScience
Evidências em Yinxu indicam o que pode ser o primeiro zoológico da China, com tigres e lobos mantidos pela elite. /Reprodução/ChinaScience
Evidências em Yinxu indicam o que pode ser o primeiro zoológico da China, com tigres e lobos mantidos pela elite. /Reprodução/ChinaScience
Pesquisadores da CASS escavam 19 fossas fúnebres que revelam rituais complexos envolvendo a fauna da Idade do Bronze. /Reprodução/ChinaScience
Pesquisadores da CASS escavam 19 fossas fúnebres que revelam rituais complexos envolvendo a fauna da Idade do Bronze. /Reprodução/ChinaScience
A diversidade de espécies achada em Anyang ajuda a reconstruir ecossistemas e florestas desaparecidas há milênios. /Reprodução/ChinaScience
A diversidade de espécies achada em Anyang ajuda a reconstruir ecossistemas e florestas desaparecidas há milênios. /Reprodução/ChinaScience

Primeiro "Zoológico" 

A localização de alguns sinos, próximos ao pescoço dos animais, sugere que eles eram mantidos vivos antes de serem usados em rituais de sacrifício.

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Segundo Li Xiaomeng, assistente de pesquisa do Instituto de Arqueologia da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), a presença dos sinos “mostra que os animais eram domesticados, ou seja, não foram capturados por acaso, mas intencionalmente criados e manejados em jardins reais”, como declarou ao site Dahe.cn.

Entre as espécies identificadas estão veados, lobos, tigres e diversas aves, como cisnes e gansos. A coexistência de predadores e presas no mesmo contexto ritual aponta para uma complexa organização logística no manejo da vida selvagem.

Niu Shishan, também pesquisador da CASS, destacou que “o padrão observado indica uma rede bem estabelecida de aquisição, criação e gestão de animais selvagens”.

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Uma nova etapa da história

Além do impacto histórico, as descobertas podem oferecer informações valiosas sobre os ecossistemas e o clima do final do período Shang. A variedade de espécies sugere a existência de florestas e áreas úmidas que atualmente estão alteradas ou desaparecidas, conforme destacado pela Revista Galileu.

Reconhecido como a última capital da dinastia Shang, Yinxu é considerado um marco na urbanização e na formação do poder estatal primitivo na China.

As novas evidências reforçam a ideia de que o controle da elite sobre o meio ambiente era tão relevante quanto seu domínio sobre a população humana, incluindo práticas rituais com captura e sacrifício de animais raros.

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Embora detalhes metodológicos ainda não tenham sido totalmente divulgados, especialistas concordam que a combinação dos sinos de bronze com a diversidade animal encontrada indica um alto nível de controle humano.

Se confirmadas, essas hipóteses podem ampliar significativamente a compreensão das interações entre sociedades antigas e a fauna, antecipando em milênios conceitos modernos de exibição e manutenção de animais vivos.

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