Variedades

Arlete Caramês morre aos 82 sem encontrar o filho desaparecido há 34 anos

Arlete Caramês passou a vida se dedicando à busca por Guilherme, desaparecido aos 8 anos em Curitiba

Luna Almeida

Publicado em 25/03/2026 às 19:06

Atualizado em 25/03/2026 às 19:07

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Arlete partiu sem descobrir o paradeiro do menino / Reprodução/Youtube

Continua depois da publicidade

O silêncio de três décadas e meia nunca foi preenchido por uma resposta. Morreu nesta terça-feira (24), em Curitiba, Arlete Caramês Tiburtius, aos 82 anos. A trajetória de Arlete é marcada pelo dia 17 de junho de 1991, data em que seu filho, Guilherme Caramês Tiburtius, então com 8 anos, saiu para dar uma volta de bicicleta no bairro Jardim Social e nunca mais foi visto. 

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Arlete partiu sem descobrir o paradeiro do menino, mas deixando uma estrutura de segurança pública que hoje salva milhares de outras crianças.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Atenção, mamães! Anvisa suspende mamadeiras, bicos e chupetas de marca infantil

• ECA Digital - famosa Lei Felca - entra em vigor e muda regras da internet para crianças

• Guarujá aposta na educação emocional e transforma comportamento de crianças nas escolas

Naquela manhã de 1991, Arlete se despediu do filho enquanto ele ainda dormia e foi trabalhar. 

Guilherme passou o período com a avó, chegou a ligar para a mãe pedindo para usar um dinheiro guardado para comprar um coelho e, pouco antes do almoço, pediu para dar uma última volta de bicicleta. 

Continua depois da publicidade

Bastaram trinta minutos para que o mistério se instalasse: apesar das buscas imediatas com cães farejadores e varreduras em rios próximos, nem o menino, nem sua bicicleta, jamais foram localizados.

Do luto à luta: a criação do Sicride

Inconformada com a falta de suporte especializado na época, Arlete transformou o próprio sofrimento em ativismo político e social. Em 1992, fundou o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar). 

Sua persistência foi o pilar para a criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), em 1995 – até hoje a primeira e única estrutura policial do Brasil dedicada exclusivamente a casos de desaparecimento de menores.

Continua depois da publicidade

A influência de Arlete também mudou a legislação federal. Por meio de seu esforço, uma lei de 2005 alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para garantir que as buscas comecem imediatamente após a notificação, derrubando o mito de que era necessário aguardar 24 horas. 

Graças a ela, órgãos como polícias rodoviárias, portos e aeroportos passaram a ser comunicados instantaneamente sobre qualquer sumiço de criança no país.

A esperança que não morreu

Arlete ingressou na vida pública como vereadora de Curitiba e deputada estadual, sempre com pautas voltadas à proteção infantil. Dentro de casa, porém, o tempo parecia ter congelado em 1991. 

Continua depois da publicidade

Ela mantinha as roupas, objetos e fotos de Guilherme intactos, preservando a memória do filho com a mesma intensidade do primeiro dia. Recentemente, em um documentário, ela reafirmou que sua sobrevivência dependia da esperança de ter, um dia, uma resposta. Assista abaixo:

Apesar de Arlete ter morrido sem o reencontro físico com Guilherme, seu nome tornou-se sinônimo de esperança para centenas de famílias que conseguiram localizar seus filhos através das instituições que ela ajudou a fundar. 

A Câmara Municipal de Curitiba e autoridades estaduais lamentaram a perda daquela que é considerada a "mãe símbolo" da causa, destacando que o legado de Arlete Caramês continuará vivo em cada busca realizada pelo Sicride.

Continua depois da publicidade

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software