Acusado de racismo, dono de emissora enfrenta ação e cobrança milionária na Justiça

A afirmação, feita no dia 14 de julho na rede X, foi posteriormente apagada, mas gerou forte repercussão e motivou uma ação civil pública movida por organização

Após a repercussão, Marcelo publicou um novo texto nas redes afirmando que sua declaração não foi racista, mas uma constatação objetiva baseada em dados e registros policiais

Após a repercussão, Marcelo publicou um novo texto nas redes afirmando que sua declaração não foi racista, mas uma constatação objetiva baseada em dados e registros policiais | Reprodução/Rede TV

Marcelo de Carvalho, sócio-fundador e apresentador da RedeTV!, está sendo processado por racismo após publicar em suas redes sociais que um conhecido teria sido assaltado em Barcelona por “obviamente um sujeito de aparência africana”.

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A declaração, feita no dia 14 de julho na plataforma X (antigo Twitter), foi posteriormente apagada, mas gerou forte repercussão e resultou em uma ação civil pública movida pela Educafro.

A organização, que atua na defesa da igualdade racial e no acesso à educação para a população negra, considerou a fala discriminatória por associar genericamente a imigração africana ao aumento da criminalidade na Europa. A ação foi protocolada no dia 17 na Justiça de São Paulo, que aguarda parecer do Ministério Público.

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A Educafro solicita uma indenização de R$ 6 milhões por danos morais coletivos, além de medidas reparatórias, como:

Retratação pública nas redes sociais;

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Participação em curso sobre igualdade racial e direitos humanos;

Divulgação de campanhas antirracistas;

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Custeio de bolsas de estudo para pessoas negras, no valor de R$ 1 milhão.

Em resposta à repercussão, Marcelo de Carvalho voltou às redes sociais para defender-se, afirmando que sua fala não teve caráter racista, mas foi uma constatação baseada em dados estatísticos, registros policiais e relatos da imprensa sobre a crise migratória na Europa.

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O empresário negou qualquer generalização ou referência a afrodescendentes brasileiros e classificou a ação judicial como infundada e motivada por interesses financeiros, chamando o valor da indenização de “astronômico”.

A Educafro rebateu a justificativa do empresário, avaliando que a nova declaração apenas reforçou o conteúdo discriminatório da publicação inicial. Para a entidade, responsabilizar a imigração africana pelo aumento da violência urbana na Europa configura racismo e xenofobia, especialmente quando parte de uma figura pública com grande alcance e influência.

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O fundador da Educafro, frei David Santos, destacou que a entidade tem utilizado ações civis públicas como ferramenta para responsabilizar casos de racismo que afetam coletivamente a população negra.

Ele também afirmou esperar que Marcelo procure a organização para buscar uma conciliação antes que o processo avance na Justiça.

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A RedeTV! declarou, por meio de nota, que manifestações feitas em perfis pessoais não refletem o posicionamento institucional da emissora.