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Punch, macaco-japonês de sete meses, foi rejeitado pela mãe no zoológico de Ichikawa e criou vínculo com brinquedo da IKEA; história emocionou visitantes e viralizou nas redes
Órfão e rejeitado pelo bando, filhote se agarra a orangotango de pelúcia para sobreviver e vira atração turística nos arredores de Tóquio / Reprodução/Youtube
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Em um zoológico na cidade de Ichikawa, nos arredores de Tóquio, o recinto dos macacos se transformou em ponto de peregrinação para visitantes de todas as idades.
O motivo? Uma dupla improvável que conquistou corações dentro e fora do Japão: Punch, um filhote de macaco-japonês rejeitado pela mãe, e seu inseparável companheiro, um orangotango de pelúcia.
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A história de Punch começou há sete meses, quando um visitante notou o recém-nascido sozinho no recinto e alertou a equipe do zoológico.
O filhote havia sido abandonado pela mãe logo após o parto, uma situação delicada, já que, em espécies como os macacos japoneses, os bebês dependem do contato físico com a progenitora nos primeiros meses de vida para desenvolver força muscular e obter segurança emocional.
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“Os filhotes normalmente se agarram às mães o tempo todo. Sem isso, eles não sobrevivem”, explicou o tratador Kosuke Shikano, que coordenou os esforços para salvar o pequeno primata.
A equipe tentou, sem sucesso, oferecer a Punch diferentes objetos que pudessem substituir o calor materno, toalhas enroladas, panos e até outros bichos de pelúcia foram testados. Até que descobriram o modelo ideal: um orangotango de pelúcia vendido pela gigante sueca IKEA.
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“Escolhemos esse brinquedo porque ele tem pelos relativamente longos e várias partes fáceis de segurar. Além disso, a semelhança com um macaco nos fez pensar que poderia ajudar Punch a se reintegrar ao grupo no futuro”, contou Shikano.
Desde então, os dois são praticamente inseparáveis. Punch arrasta o companheiro por todo o recinto, mesmo ele sendo maior que o filhote, e raramente é visto sem o boneco laranja de olhos esbugalhados.
Confira abaixo um vídeo do Punch:
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Vídeos da dupla viralizaram nas redes sociais, atraindo visitantes de diversas partes do Japão ao zoológico de Ichikawa. Entre eles, a enfermeira Miyu Igarashi, de 26 anos, que fez questão de conhecer Punch pessoalmente.
“Ver o Punch nas redes sociais, abandonado pelos pais, mas ainda se esforçando tanto, me comoveu muito. Quando tive a oportunidade de encontrar uma amiga hoje, sugeri que viéssemos ver o Punch juntas”, disse.
A comoção global em torno do filhote rejeitado também chamou a atenção da IKEA, que passou a turbinar a divulgação do brinquedo nas redes e lojas físicas.
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Apesar da comoção, especialistas explicam que o abandono de filhotes não é incomum entre primatas e outras espécies de mamíferos e aves. A maternidade, entre os animais, não é automática, envolve aprendizado, condições ambientais e, muitas vezes, experiência prévia da fêmea.
No caso de Punch, acredita-se que a rejeição tenha sido influenciada pelas temperaturas extremas registradas em julho, época do nascimento do filhote. “O calor pode ter afetado o comportamento da mãe”, disse Shikano.
Atualmente, Punch ainda enfrenta dificuldades para se comunicar com os outros macacos. Pequenos conflitos são comuns, mas os tratadores afirmam que o processo faz parte do aprendizado social da espécie.
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“Acho que chegará o dia em que ele não precisará mais do seu brinquedo de pelúcia”, acredita o tratador.
Até lá, o pequeno macaco segue agarrado ao seu fiel companheiro orangotango, ensinando ao público uma lição de superação e lembrando que, mesmo no reino animal, o afeto pode surgir nos lugares mais inusitados.