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A 'população fantasma' reaparece: Descoberta no mar obriga ciência a reescrever registros de 160 ano

O que pescadores encontraram no Mediterrâneo muda tudo o que se sabia sobre o paradeiro do grande tubarão-branco

Nathalia Alves

Publicado em 18/02/2026 às 17:15

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Cientistas são forçados a mapear um século e meio de registros após aparição de visitante inesperado na costa espanhola. / Reprodução/Báez et al., 2026, CC BY

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Em 20 de abril de 2023, o que deveria ser apenas mais um dia de trabalho para uma equipe de pescadores ao largo da costa mediterrânea da Espanha transformou-se em um marco para a biologia marinha. Das águas, emergiu uma figura inconfundível e temida: um grande tubarão-branco (Carcharodon carcharias).

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A captura inesperada, um exemplar jovem com pouco mais de 210 centímetros e cerca de 90 quilos, desencadeou uma investigação profunda liderada pelo Instituto Espanhol de Oceanografia. Os resultados, que acabam de ser publicados, estão mudando o que a ciência acreditava sobre a presença desses predadores na Europa.

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160 anos sob o radar

A descoberta motivou os biólogos a mapear todos os registros da espécie no Mediterrâneo Ocidental entre 1862 e 2023. O estudo confirmou que, embora as aparições sejam raríssimas, o tubarão-branco mantém uma presença persistente na região, sendo apelidado pelos especialistas de "população fantasma".

"A revisão confirma que a espécie nunca desapareceu completamente", explicam os pesquisadores. A captura do indivíduo jovem é o dado mais valioso, pois serve como um forte indício de que a reprodução pode estar ocorrendo no Mediterrâneo, sinalizando que partes da costa podem funcionar como áreas de berçário para a espécie.

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O papel vital do predador

Muitas vezes visto apenas como uma ameaça, o tubarão-branco desempenha funções ecológicas fundamentais que vão muito além da caça ativa.

"Esses grandes animais são os necrófagos da natureza. Ao se alimentarem de carcaças, eles mantêm os ecossistemas limpos", afirmou José Carlos Báez, pesquisador principal do estudo.

Como espécie altamente migratória, ele também é responsável por redistribuir energia e nutrientes por grandes distâncias. Até mesmo após a morte, o corpo de um tubarão-branco que afunda serve como uma das principais fontes de alimento para as comunidades que habitam as profundezas abissais.

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Conservação e Mitos

Atualmente, o grande tubarão-branco é classificado como vulnerável na Lista Vermelha da IUCN, com populações em declínio global. Para os cientistas espanhóis, entender os movimentos desses animais no Mediterrâneo é o primeiro passo para fortalecer os esforços de conservação e dissipar mitos que ainda cercam a espécie.

A equipe agora defende a criação de programas de monitoramento de longo prazo e uma colaboração estreita com as comunidades pesqueiras locais para garantir que a "população fantasma" do Mediterrâneo possa, finalmente, ser protegida.
 

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