A novela “Alma Gêmea”, uma das tramas de maior sucesso da TV Globo, teve suas locações ambientadas por diversas regiões do país. Desde a capital até o interior, e do Sudeste ao Sul do Brasil, a produção percorreu muitos cenários. Além disso, não podemos esquecer das cidades cenográficas construídas especialmente para a obra.
Com tantas opções de lugares incríveis, a novela convida o público a conhecer paisagens encantadoras. No entanto, uma cidade se destaca não apenas pela beleza, mas também pela forte ligação com o autor da trama, Walcyr Carrasco.
A famosa cidade de Roseiral, onde se passam as cenas da novela, foi inspirada em Bernardino de Campos, uma pequena cidade do interior de São Paulo onde o autor cresceu.
Escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Jorge Fernando, a trama teve como protagonistas Priscila Fantin e Eduardo Moscovis. Juntos, eles viveram uma história de amor que, segundo a narrativa, vai além da vida.
Transmitida originalmente em 2005, a novela conquistou grande audiência. Seu sucesso foi tão grande que a história precisou ser estendida.
Bernardino de Campos: a cidade que inspirou Roseiral
Bernardino de Campos é um município brasileiro localizado no estado de São Paulo. Suas terras são banhadas pelos rios Pardo e Paranapanema. Em 1879, o território que hoje corresponde ao município recebeu os primeiros colonizadores. Entre eles, destaca-se Manoel Joaquim de Lemos, que, vindo de Avaré, demarcou uma grande área para a agricultura.
Em 1888, outros desbravadores, procedentes de diversos pontos do estado, instalaram-se na região. Eles iniciaram uma povoação próxima ao espigão, chamada de “Douradão”, que chegou a ser elevada a distrito policial.
Com a chegada da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1907, a economia local começou a se desenvolver gradualmente. A estação ferroviária foi denominada Bernardino de Campos, em homenagem ao então presidente do estado. A partir de então, o povoado assumiu essa denominação.
A construção da cidade cenográfica de Roseiral
Para construir a fictícia cidade de Roseiral, a equipe de cenografia da Globo buscou referências em livros que mostram as cidades antigas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Além disso, os cenógrafos visitaram alguns lugares no interior paulista, como Águas de Santa Bárbara e Bernardino de Campos, cidade natal do autor Walcyr Carrasco. Eles também percorreram locais no Paraná, incluindo Castro, Morretes, Antonina e Lapa.
A parte de cenografia já havia sido descrita por Carrasco desde a sinopse da novela. “Para criarmos a cidade, será feita uma pesquisa. Veremos a cidade de Bernardino de Campos, onde nasci, e que parece estar ainda conservada da forma como era décadas atrás. Veremos também outras cidades na região de Campinas, como Souzas.
O importante é que seja uma cidade do interior típica, com pracinha, igreja, coreto e casas no estilo da imigração espanhola ou italiana”, descreveu o novelista no projeto entregue à Globo na época.
Os números e detalhes da cenografia
A cidade cenográfica de Roseiral que a Globo ergueu contou com uma área construída de 9 mil metros quadrados. Nela, os cenógrafos montaram as casas de Rafael (interpretado por Eduardo Moscovis) e de Agnes (vivida por Elizabeth Savalla), além de um prédio residencial onde mora Vera (Bia Seidl) e a vila onde fica a pensão.
A cidade também possui igreja, loja de flores, farmácia, estação de trem, barbearia, mercearia, prefeitura, cinema, sorveteria, consultório médico e sapateiro. Alguns ambientes, como a sorveteria, a loja de flores e a igreja, tiveram seu interior completamente construído.
Já a estufa de rosas de Rafael, que também estava na cidade cenográfica, teve apenas a parte externa reproduzida. Seu interior, portanto, foi gravado em estúdio. A novela ainda possuía outras duas frentes de gravação. Um detalhe curioso: o sítio de Crispim (Emilio Orciollo Netto) ficava atrás da casa de Rafael. Por fim, as cenas no clube foram gravadas em uma locação externa no Rio de Janeiro.









