Um clown de excelência

A sensação é que na rua o espetáculo ganha agilidade e uma relação ainda mais potente com o público

Bruno Fracchia*

Concebido para o Teatro de Rua, ‘Circo do só eu’ foi apresentado no FESTA57 no Teatro Guarany. Mas como deve ser uma apresentação desta obra em seu espaço de origem? Tal curiosidade se justifica: embora seja nítido que na praça pública ou no edifício teatral tradicional, Ésio Magalhães, com seu palhaço Zamborim, é um clown em sua excelência, a sensação é que na rua o espetáculo ganha agilidade e uma relação ainda mais potente com o público.

Mesmo fora da área de atuação original deste trabalho, Ésio hipnotiza com suas habilidades acrobáticas, rapidez de raciocínio e agilidade verbal que de forma imediata estabelecem em cena o jogo proposto. E tudo se torna ainda mais belo pelo fato do domínio da linguagem clownesca não aparecer em cena travestido de virtuosismo.

Mas pensar que as habilidades do artista são frutos apenas de talento é desmerecer todo seu histórico.

E esta é uma das mensagens que podem ser apreendidas com este trabalho: se tornar um palhaço é um trabalho que exige o comprometimento de uma vida. Se Ésio é um mestre em sua arte, apresentando o grau de excelência artística visto em cena é por conta de anos de trabalho e estudos mundo a fora. Não é brincadeira se tornar um palhaço. Que todo aquele que pensa ser clown ou queira se tornar um, reflita muito bem antes de embarcar nesta jornada.

Aos inspiradores Ésio Magalhães e palhaço Zamborim, deixo aqui o meu muito obrigado.