No palco, Maria que virou Jonas discute identidade sexual

Em cena, a obra da Cia Livre destaca os temas da transformação do corpo, o comportamento humano e subversão do senso comum

Por Lincoln Spada

Marie nasceu homem no corpo de mulher. Tal transexualidade recitada no século 16 ainda provoca polêmicas nos dias de hoje. Por isso, a Cia Livre de São Paulo apresenta gratuitamente ‘Maria que virou Jonas ou a Força da Imaginação’, hoje, às 20 horas, no Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 100).

Com dramaturgia de Cássio Pires e direção de Cibele Forjaz, o espetáculo é encenado por Edgar Castro e Lúcia Romano.
O teatro é inspirado na história da ‘Marie que virou Germain’, num ensaio provocador do filósofo francês Michel de Montaigne, ‘Da Força da Imaginação’, há mais de 400  anos.

A trama chegou a ser desenvolvida mais recentemente em fábula no livro ‘Inventando o Sexo’, de Thomas Laqueur em 2001, e ganhou tradução cênica com a Cia Livre.

A companhia estreou com o espetáculo em fevereiro deste ano, contemplada pela Lei Municipal de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. A trama trabalha a discussão das nossas crenças e leis e no questionamento das aparências e dos preconceitos que rondam o nosso cotidiano quanto à sexualidade.

Ainda sobre as influências, o grupo estudou obras de Judith Butler, Beatriz Preciado, Maria Filomena Gregori, Foucalt, Bertolt Brecht e Peta Tait, além de partilhas e conversas com travestis, transexuais e militantes da diversidade seuxal.

“Este processo de teatro abriu em nós, da companhia, uma nova percepção no que se refere às dinâmicas normativas das identidades de gênero”, declara o ator Edgar Castro.  A peça inteira se desenvolve no interior de uma casa, espaço sugerido em dois ambientes que se comunicam entre si – a sala e a cozinha, e em outro espaço denominado “camarim”.

E é neste espaço intimista, que ele destaca um certo estranhamento do público com a história de vida do protagonista transexual e de sua companhia. “Talvez esse atordoamento sobre as configurações afetivas do casal no decorrer da história sejam alguns dos comentários mais presentes por parte do público”.

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Versos da periferia em Visões de Severino

Partindo do rap, a banda Visões de Severino, de Ferraz de Vasconcelos, apresenta-se hoje às 23 horas, na Vila do Teatro (Praça dos Andradas). O grupo é formado por Beto do Nascimento (bateria), Nicolas Carneiro (baixo) e Robson Heloyn (guitarra).

O trio busca sintetizar em suas músicas os ritmos e os sons presentes no ambiente cotidiano da periferia. “O repertório tem como base as músicas do compositor Lucas Afonso e obras clássicas do cancioneiro popular brasileiro”, explica Beto do Nascimento.

Ele complementa: “O que a banda almeja é construir ‘atmosferas sonoras’ onde a letra e a poesia sejam conduzidas pelo som”, citando as canções ‘Guiné-Bissau, Moçambique e Angola’, de Tim Maia,  ‘O morro não tem vez’, de Tom Jobim e ‘Casa Forte’, de Edu Lobo.

“A parceria entre o Lucas Afonso e a nossa banda surge da ideia de unir palavras e acordes, poesia e ritmo. Dessa forma, além de ouvir as mensagens contidas nas letras, queremos possibilitar que cada um dos presentes em nossas apresentações também seja capaz de ‘sentir’ a mensagem. E para o sentir, a música é fundamental”. (LS)