Especialista diz que ‘terremoto em gol do México’ é evento comum

Segundo o órgão, o tremor foi causado possivelmente pelos pulos ao mesmo tempo da multidão que assistia à partida na cidade

O Instituto de Investigações Geológicas e Atmosféricas do México afirmou neste domingo (17), por meio do Twitter, ter identificado um “terremoto não natural” na Cidade do México no momento em que Herving Lozano fez o gol da vitória da seleção do país contra a Alemanha, em partida da Copa do Mundo.

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Segundo o órgão, o tremor foi causado possivelmente pelos pulos ao mesmo tempo da multidão que assistia à partida na cidade.

Mas é mesmo possível que a comemoração de um gol seja forte o suficiente para causar um terremoto?
Para George Sand França, 46, professor do observatório sismológico da Universidade de Brasília (Unb), sim, mas até a passagem de um caminhão é capaz de fazê-lo.

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Toda e qualquer coisa que vibre e se propague no meio da terra pode ser classificada como um terremoto, esclarece o professor, embora associemos este nome àqueles tremores que causam mortes e destruição.
“Até eu pulando, se for perto de um instrumento de medição, faz que ele registre um tremor. Um caminhão passando gera um pequeno terremoto. Isso não é nenhuma novidade”, diz.

“Divulgam isso para ganhar um pouco de mídia e para ter uma divulgação. Se a gente medir nos jogos aqui no Brasil também vai acontecer isso”, completa.

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Depois da divulgação, o instituto mexicano contemporizou a informação em seu site.

Num texto explicando como foi feita a medição do terremoto no momento do gol, afirmou que ao menos dois de seus aparelhos detectaram um movimento sísmico com aceleração de 37m/s² na Cidade do México, e que “esses eventos não são fortes. Só os equipamentos sismográficos sensíveis, e geralmente próximos, podem detectar o efeito do salto de uma multidão”.

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Além disso, disse que o movimento, imperceptível para as pessoas, não pode ser medido em magnitude, e por isso deve ser chamado de “terremoto artificial”. -a segunda palavra serve para atestar que não foi algo geológico.

Bruno Collaço, sismólogo da USP,  também afirma que o termo “terremoto”, neste caso, deve vir acompanhado de “artificial”, porque não foi um evento de causas naturais.

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Ele pontua, porém, que, diferentemente da passagem de um caminhão, cujas vibrações no solo só são percebidas se o aparelho para medição estiver bem perto, o terremoto mexicano foi detectado por mais de um sismógrafo, o que mostra que a dimensão do acontecido foi bem maior que a passagem de um caminhão.

Segundo França, da Unb, o salto de milhares de pessoas juntas, no mesmo lugar, causaria, no máximo, um tremor de um ponto na escala Richter, usada para medir a potência de terremotos.

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Para ser sentido pelas pessoas, sem a ajuda de aparelhos, há variáveis como proximidade com o epicentro do sismo e a profundidade em que este ocorre, mas, via de regra, o tremor deve ter ao menos três pontos na escala.