Brasil está preparado para ser campeão na Copa, diz furacão Jairzinho

O ex-jogador ficou conhecido como o 'Furacão da Copa de 70' por ter marcado gols em todos os jogos, façanha até hoje não igualada por nenhum outro jogador

A equipe montada por Tite está preparada para ser campeã do mundo na Rússia. A previsão poderia ser mais uma, em um país de 200 milhões de técnicos. Mas ganha peso quando vem da boca de Jairzinho, aquele que ficou conhecido como o Furacão da Copa de 70, por ter marcado gols em todos os jogos, façanha até hoje não igualada por nenhum outro jogador.

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“Não se pode falar em 100% de chance. Eu digo que o Brasil está preparado para ser campeão. Não tem comparação com quatro anos atrás. Eu não gosto nem de lembrar. Estou engasgado até agora. Como que o país do futebol perde de 7 x 1 na sua própria residência? Esta é uma seleção. Quatro anos atrás era só um jogador. Hoje nós temos 23 jogadores de qualidade”, disse Jairzinho.

O atacante tricampeão recebeu a equipe da Agência Brasil na Vila Olímpica do Sampaio, na zona norte do Rio, onde ele mantém um projeto social para dezenas de crianças e adolescentes de comunidades pobres, oferecendo sua experiência para orientar os jovens e garimpar futuros jogadores profissionais.

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Craque

Perguntado por que tinha tanta fé no bom desempenho da seleção de Tite, Jairzinho disse que ela se parece muito com a de 1970, que reunia vários craques e um grande espírito coletivo.

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“O craque é aquele que é inteligente para jogar. Que faz a diferença dentro de campo. Mas se você não tiver o coletivo, vai perder sempre. E se não tiver a criatividade, com a improvisação, vai perder também. É por isso que a seleção está maravilhosa agora. Ela tem o coletivo e a criatividade. Falo com experiência. Nós tínhamos o coletivo e a criatividade no México. A bola caia no pé do Jairzinho, que driblava dois, três, quatro e entrava com bola e tudo. A bola caia no pé do Rivelino e ele driblava todos e entrava com tudo”, comparou.

Seleção de 70

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Questionado se a seleção de 1970 foi a melhor de todas, Jairzinho nem pensa e dispara rápido: “Claro que foi. Você tem dúvida? Quando é que você vai ver uma seleção jogar com cinco números 10? E todos faziam a diferença. Eu era um deles”.

Para Jairzinho, o excessivo culto à figura de Neymar, jogador classificado por Tite como “top três” e “diferenciado”, não atrapalha e pode até ajudar os demais companheiros de equipe.

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“É um espelho para que eles sejam melhor ou igual a ele. Além do Neymar, temos de prestar atenção no Paulinho, Willian, Gabriel e Coutinho. Temos cinco jogadores diferenciados. Eu aposto que eles poderão fazer a diferença. Em 70, nós tínhamos o Pelé e eu fui tanto ou melhor que ele. O Pelé que corria atrás de mim e não eu que corria atrás dele. É o que pode acontecer agora com o Neymar. Esta é uma seleção de pensamento positivo, porque ninguém é campeão de nada ali. É todo mundo buscando o seu sucesso. E você só tem sucesso quando é campeão. Esta é a realidade”, sublinhou.
Projeto social

Jairzinho falou com a reportagem após um treino de quase três horas, de baixo de um sol forte, no campo de terra e grama da Vila Olímpica. Com o apito na boca, ele comandava os jovens, que se revesavam a cada gol feito, dando lugar a um outro time.

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“Eu faço por amor, carinho. Estou devolvendo o que recebi. Assim como alguém me viu jogando pelada, e me convidou a ir para o Botafogo, eu também tento dar a eles uma luz melhor de vida. Eu dou a eles um espelho de positividade, de sucesso, que é mais importante. Eu dou o meu calor humano. Eles não pagam nada. Saíram mais de 50 jogadores do meu projeto”, conta o craque.

Ele mesmo lembra que o futebol entrou na sua vida muito cedo, desde criança, quando em vez de bolas de couro, chutava laranjas ou bolas de meia.

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“Eu fui criado na General Severiano, em frente ao campo do Botafogo. Jogava nas praças. Comecei a jogar com laranja, fui para a meia, depois uma bola de borracha e por fim uma bola de couro. Nas peladas de rua, eu era sempre o primeiro a ser escolhido. Comecei a jogar com seis anos. Entrei no juvenil do Botafogo em 1960, com 14 anos. Ninguém pode dizer que vai ser jogador. Você se prepara para ser. É diferente. Ídolos como Garrincha, Quarentinha, Didi, Amarildo, Zagalo e Nilton Santos me inspiraram a ser jogador. Depois vim, na sequência, a jogar com eles”, lembra.
Furacão

Sobre o apelido de Furacão, que o consagrou no Brasil e no mundo, ele logo explica o motivo: “Eu sou o único jogador que fez gols em todos os jogos em uma copa do mundo. Vamos ver agora, até o mês de julho, quem vai superar. Tomara que um brasileiro supere, para darmos continuidade no nosso objetivo de sermos o melhor futebol do mundo”.