Por que o homem moderno considera-se superior às outras espécies do planeta? A questão é o mote do espetáculo santista ‘Nephentes’, do Projeto Antrópicos, que se apresentará amanhã, às 20 horas, no Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 100), com entrada franca.
Fruto de direção coletiva, a peça tem autoria de Tames Santos e elenco formado por Carol Fog e Malu Câmara. De teor performático, o teatro é inspirada no documentário “Reino das Plantas” da BBC e influenciada pela cultura indígena das Américas.
“É impossível não destacar em Nepenthes um tema crítico traduzido em cenas, que é a atual crise ecológica global – consequência direta do modo de produção capitalista – e o papel do homem ocidental moderno nesta crise”, destaca a atriz Carol Fog.
Ainda sobre a temática, Carol comenta sobre a visão de mundo dos indígenas: “Eles nos parece detentor de uma percepção de mundo avessa do ocidente, sobretudo naquilo que diz respeito a nossa divisão entre natureza e cultura. Para os povos indígenas da Amazônia, o universal não é a natureza, mas a cultura. Para eles, um animal também é humano e uma planta tem alma”.
A peça tem no cenário poucos objetos, justamente para que o público interaja melhor com a performance dos atores. “Ao longo desses três anos de grupo, perseguimos uma desconstrução do que chamamos de ‘modus operandi’ do teatro, buscando novas formas de interpretar”, finaliza a artista, comparando a dramaturgia como uma ‘palestra cênica’. Está tudo ali, os atores em sintonia com o público para tratar da crise ecológica. E de nossa crise existencial (LS).
