Turismo

Tchau, aeroporto: Passageiros devem trocar avião por ônibus nas próximas semanas

Estudo revela 'efeito substituição' provocado pelo preço do querosene. Veja o comparativo de preços entre São Paulo e capitais do Nordeste

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 13/04/2026 às 22:25

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Rodoviárias do Brasil vão estar mais cheias do que o normal nas próximas semanas / Marcela Camargo/Agência Brasil

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'O aumento no preço do querosene de aviação (QAV) pode provocar uma nova disparada nas tarifas aéreas e alterar o comportamento dos viajantes brasileiros nas próximas semanas.

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Especialistas do setor projetam que o encarecimento do combustível utilizado pelas companhias aéreas deve elevar em até 35% o valor das passagens e impulsionar uma migração expressiva de passageiros para o transporte rodoviário.

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A estimativa é de que até 25% da demanda aérea seja redirecionada para ônibus interestaduais ainda neste trimestre, em um movimento puxado pela crescente diferença de preços entre os modais.

Combustível pesa quase metade do custo das aéreas

Segundo o setor, o querosene de aviação representa atualmente cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, tornando o segmento altamente sensível às oscilações do petróleo e do dólar.

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Para Victor Coutinho, CEO do Buszap, plataforma de venda de passagens rodoviárias, o reajuste tende a aprofundar uma disparidade tarifária já existente no mercado.

“Esse movimento amplia uma distorção que já existia: em muitas rotas, o preço da passagem aérea é proibitivo. Quando o passageiro percebe que pode economizar centenas de reais sem abrir mão da viagem, a decisão muda rapidamente e o rodoviário captura essa demanda”, afirma.

Para atender ao aumento expressivo da demanda, o aeroporto preparou um esquema especial de operação e serviçosQuerosene de aviação representa atualmente cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas (Divulgação/Aeroporto de Viracopos)

Especialistas apontam “efeito substituição” entre modais

Na avaliação de Mário Marques, professor de economia da SKEMA Business School, o cenário reflete um comportamento clássico de mercado diante da alta de preços.

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“QAV é fortemente atrelado à paridade internacional e ao dólar, o que tende a gerar um repasse relativamente rápido às tarifas aéreas. Já no transporte rodoviário, embora o Diesel S-10 também seja influenciado pelos preços internacionais, o repasse no Brasil nem sempre é integral ou imediato, o que pode suavizar os impactos no curto prazo. Estamos diante de um efeito substituição clássico: o consumidor não deixa de viajar, mas migra para modais de menor custo”, explica.

Recentemente, uma pane elétrica derrubou o sistema dos dois principais aeroportos de São Paulo. Problema chegou a afetar rede e prejudicar voos em 19 aeroportos do Estado.

Diferença pode superar R$ 1,4 mil por viagem

Levantamento de mercado feito pelo Buszap aponta que, em algumas rotas, a diferença entre viajar de avião e de ônibus pode ultrapassar R$ 1.400 no trecho de ida e volta.

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No comparativo apresentado pela empresa, uma viagem entre São Paulo e Salvador pode custar cerca de R$ 2.150 de avião após o reajuste, contra R$ 740 no transporte rodoviário em categoria leito ou semi-leito — uma economia de R$ 1.410.

Segundo Victor Coutinho, o ônibus ganha competitividade não apenas pelo preço, mas também pela previsibilidade tarifária.

“Diferente do aéreo, onde a tarifa oscila por algoritmos agressivos, no rodoviário conseguimos manter uma previsibilidade de preço, facilitando o acesso de quem precisa se deslocar de última hora sem pagar fortunas”, pontua.

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Demanda por ônibus deve crescer ainda neste trimestre

Com base no comportamento recente do consumidor e na digitalização da venda de passagens, a plataforma projeta crescimento de 25% na procura por viagens rodoviárias nas próximas semanas.

A expectativa do setor é que o encarecimento do transporte aéreo fortaleça especialmente viagens interestaduais de média distância, nas quais o tempo de deslocamento terrestre ainda é considerado competitivo frente ao custo-benefício do avião.

Projeção considera reajustes e sazonalidade

Segundo a empresa, o estudo cruzou dados históricos de reajustes da Petrobras para QAV e Diesel S-10, índices de inflação do IBGE e relatórios de custos operacionais da ANAC e da ABEAR.

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As projeções consideram o preço médio atual das passagens aéreas acrescido do repasse do combustível e da sazonalidade típica do período entre maio e junho.

Se confirmada, a alta representará um novo teste para o bolso do consumidor e pode consolidar uma mudança temporária — ou até estrutural — na preferência dos brasileiros entre avião e ônibus em rotas nacionais.

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