Setores hoteleiro e imobiliário se adaptam para receber o turista no pós-pandemia

A readequação de áreas comuns para respeitar os protocolos de distanciamento, readaptação de ambientes e mais investimentos em automação foram pontos muito trabalhados pelos gestores de todos os meios de hospedagem que precisam ser criativos e estratégico

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17 AGO 2021Por Da Reportagem14h14
Higienização é um dos requisitos prioritários para turistasHigienização é um dos requisitos prioritários para turistasFoto: Divulgação

É inegável a significativa mudança de comportamento do brasileiro devido à pandemia. O cenário exigiu transformações e tendências que motivaram um novo olhar a respeito de inúmeros aspectos relacionados ao modo de viver, comer, se vestir, se hospedar, viajar, estudar, se divertir. Um dos setores que menos sentiu os efeitos das medidas restritivas por conta da Covid-19 foi a arquitetura residencial. Por causa do "ficar em casa por mais tempo", as pessoas passaram a adaptar, a criar e a aproveitar espaços internos e externos do lar em busca de mais conforto, praticidade e segurança. 

Os segmentos imobiliário e hoteleiro também seguiram pelo mesmo caminho, desenvolvendo soluções e projetos para atender às necessidades, exigências e expectativas dos clientes.  A readequação de áreas comuns para respeitar os protocolos de distanciamento, readaptação de ambientes e mais investimentos em automação foram pontos muito trabalhados pelos gestores de todos os meios de hospedagem que precisam ser criativos e estratégicos para reconquistar a confiança do público. Da recepção ao café da manhã, a arquitetura de empreendimentos foi profundamente afetada. "Quem não repensar essa nova forma de hospedar terá muitos problemas no período pós-pandemia", acredita o empresário do setor imobiliário com ênfase em locação por temporada Mario Mattos. 

O arquiteto e urbanista Manoel Doria admite que, devido à pandemia, uma nova visão arquitetônica passou a influenciar o trabalho. "Algumas funções foram aceleradas, um novo estilo de vida também foi colocado em prática e novas experiências para equipamentos e empreendimentos ficaram um tanto represadas neste momento de susto", explica. De acordo com ele, foi necessário mudar conceitos. "Em meus projetos, passei a dar mais preferência pela facilidade, funcionalidade, racionalidade e objetividade de funções diárias, sejam elas de âmbito profissional, particular, lazer, entretenimento e convivência social", observou. 

De uma maneira geral, a arquitetura começou a valorizar moradias aliadas e muito próximas das atividades profissionais/home office, "é um caminho sem volta que vem se aprimorando", sublinha. Doria ressalta que os projetos com dimensionamento funcional adequado a este novo estilo de vida vem se refletindo nas residências permanentes e transitórias. "Hoje posso trabalhar, ter minha atividade aliada com praticidade, conforto, economia e racionalização de tempo", pontua. O arquiteto acredita que as atividades de serviço e comércio receberão uma maior demanda de pessoas em razão desta disponibilidade de tempo que a população vai acabar tendo. 

Quanto às questões espaciais, Dória percebe projetos com mais tecnologia, sustentabilidade e eficiência como pontos vitais para o sucesso de uma obra. "Soluções criativas, flexíveis, objetivas, funcionais e adequadas à realidade comercial de cada produto vão fazer a diferença na escolha de imóvel para moradia, comércio, serviço e áreas públicas", frisa. "Hoje vejo e pratico uma arquitetura mais permeável, acessível, em sintonia com estas demandas e focada no futuro". Para ele, essa visão tem sido estendida aos meios de hospedagem. 

Segundo Dória, a pandemia fez germinar um processo e modo de vida híbrido, com necessidades de uma prática social mais saudável e que terá muita importância para a conectividade das pessoas. "Espaços mais amplos, ventilados, com forte influência paisagística local e de muita praticidade já estão enfatizados nos novos projetos e empreendimentos", pontua. "O público estará mais "ligado", observador e crítico para os novos projetos e temos a responsabilidade de gerar e transformar estas novas demandas para que a arquitetura seja o reflexo deste bem-estar, segurança e qualificação espacial", opina.  

A arquiteta Carine Milani compartilha do mesmo pensamento. Ela percebeu que as estratégias e inovações precisavam ser intensas e focadas. "A pandemia criou um nicho no mercado com a necessidade do cliente de buscar melhorias residenciais e espaços adequados a esse novo conceito. As pessoas procuraram criar ambientes sob medida para atender aos anseios do momento e fazer com que essa jornada fosse mais leve e atrativa, aconchegante e segura", observa. 

O empresário Mario Mattos acrescenta que os empreendimentos do trade turístico estão fortemente adaptados para receber os turistas com a retomada da economia, redesenhando seus espaços para garantir saúde, segurança e, ao mesmo tempo, lazer e diversão. "Um conceito mais sustentável e inovador de se hospedar faz parte do DNA dos imóveis administrados pela Mattos Investimentos, localizada em Bombinhas, litoral catarinense, muito antes da pandemia", afirma.  "A higienização de ambientes, por exemplo, sempre foi rigorosa nos apartamentos, bem como, espaços com conectividade e muito conforto". 

Mattos percebe que o turista pós-pandemia ao buscar hospedagem quer estender a sensação de se sentir em casa. "Com certeza, vai preferir ambientes caseiros, com todas as vantagens e comodidades que a estrutura de um lar oferece". Por isso, o público vai ficar atento a empreendimentos que ofereçam espaços mais amplos, perto da natureza, sem abrir mão, da praticidade da conexão digital e do monitoramento remoto, que combinam com uma experiência relaxante e proveitosa. O empresário acredita que a tendência serão viagens familiares e de trajeto curto, para roteiros como as praias. 

Mattos avalia que a retomada das atividades turísticas no setor hoteleiro exige tecnologia que assegura saúde, funcionalidade e conforto para os hóspedes, perto da natureza e da infraestrutura urbana de serviços. "O mais importante é que o cliente sinta confiança, que encontre espaços redesenhados e adaptados à nova realidade".