Nos últimos anos, autoridades locais e estaduais anunciaram propostas para revitalizar o espaço / Reprodução/Youtube
Continua depois da publicidade
No interior do Ceará, uma escultura incomum chama atenção de moradores e visitantes há mais de 40 anos.
Em Caridade, uma enorme cabeça de Santo Antônio feita em cimento e ferro repousa no quintal de uma residência e carrega uma história que mistura devoção, improviso e memória coletiva.
Continua depois da publicidade
Conhecida como o “santo sem corpo”, a peça se tornou símbolo local e inspiração para produções culturais.
A escultura começou a ser produzida nos anos 1980, quando a prefeitura encomendou uma imagem monumental do padroeiro para ser instalada no Morro do Serrote do Cágado.
Continua depois da publicidade
O artista Franzé D’Aurora chegou a finalizar a cabeça utilizando ferrocimento, técnica resistente e inovadora para a época.
No entanto, dificuldades financeiras, desafios técnicos e ventos fortes no local impediram a continuidade do projeto. Assim, apenas a cabeça ficou pronta, enquanto o restante da estátua jamais saiu do papel.
Sem destino definido, a peça foi transferida para o quintal de uma casa próxima — onde permanece até hoje. Com o passar do tempo, o que era provisório se tornou permanente.
Continua depois da publicidade
A presença da escultura gigante transformou a rua em ponto de curiosidade espontânea. Turistas e moradores costumam visitar o local para fotografar a obra inusitada, e a via ganhou o apelido de “Rua da Cabeça”.
A convivência cotidiana criou laços afetivos entre a comunidade e o monumento. Muitos moradores cuidam do entorno e se orgulham da história singular que ajudou a colocar Caridade no mapa das curiosidades culturais do Ceará.
Apesar do carinho popular, o desgaste do tempo levanta preocupações sobre a preservação da estrutura, motivando debates sobre restauração e possível tombamento como patrimônio cultural.
Continua depois da publicidade
Nos últimos anos, autoridades locais e estaduais anunciaram propostas para revitalizar o espaço e retomar a homenagem ao padroeiro.
O projeto do Complexo Religioso de Santo Antônio prevê santuário, mirante, calçadão e uma nova estátua de 36 metros de altura.
Contudo, as obras enfrentaram atrasos e interrupções, deixando indefinido o futuro do empreendimento. A situação reacendeu discussões sobre a necessidade de equilibrar turismo religioso e preservação da memória representada pelo “santo sem corpo”.
Continua depois da publicidade
Veja também: Igreja Católica tem santo nascido no Litoral de SP que morreu de forma trágica; veja
A cabeça de Santo Antônio ultrapassou o status de escultura inacabada e passou a integrar o imaginário popular. A história inspirou livros, reportagens e roteiros audiovisuais que exploram o simbolismo da obra como metáfora de fé, abandono e resistência.
O monumento tornou-se expressão da criatividade popular e da capacidade de transformar imprevistos em identidade cultural. Para muitos, o “santo sem corpo” representa a própria memória da cidade.
Continua depois da publicidade
Veja também: Praia de Itanhaém possui cama de pedra onde dormiu um santo católico
Hoje, a escultura gigante é considerada parte essencial da história de Caridade. Entre propostas de restauração, integração ao novo complexo ou preservação como museu a céu aberto, uma certeza permanece: o valor simbólico da peça já está consolidado.
Mesmo incompleta, a cabeça de Santo Antônio continua viva na devoção e na imaginação dos moradores — prova de que o inacabado também pode se tornar eterno.
Continua depois da publicidade