Turismo
Construção feita com óleo de baleia e pedras da serra desperta curiosidade na internet; conheça a origem da 'Casa de Pedra do Vale Verde'
Construção foi feita com óleo de baleia e pedras da serra por ingleses em 1805 / Divulgação/Fundação Florestal
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Um vídeo que viralizou nas redes sociais ao mostrar uma casa isolada em meio à densa Mata Atlântica da Serra do Mar, no litoral de São Paulo, despertou curiosidade e uma enxurrada de teorias entre internautas sobre como a construção foi erguida em um local de acesso extremamente difícil.
Localizada em uma área remota cercada por vegetação fechada e próxima ao Rio Itapanhaú, a construção é conhecida como Casa de Pedra do Vale Verde — um monumento histórico cercado de memória, natureza e lendas locais.
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Segundo registros históricos compartilhados por guias da região, o imóvel começou a ser construído em 1805 por ingleses, inicialmente utilizado como depósito agrícola para armazenamento de banana e cacau, além de também ter servido como senzala durante o período escravocrata.
A edificação foi erguida com materiais retirados da própria região, incluindo areia do Rio Itapanhaú, granito da Serra do Mar, madeira local e óleo de baleia na argamassa — técnica comum em construções coloniais da época. Sua última grande reforma ocorreu em 1915.
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Décadas depois, o local também serviu como base de apoio para a implantação das linhas de energia da Light na Serra do Mar e posteriormente integrou a antiga Fazenda Pirambeiras, dedicada ao cultivo de bananas. Em 1977, quando foi criado o Parque Estadual Serra do Mar, a área da casa tornou-se a primeira incorporada ao núcleo de preservação.
O ex-vereador Professor Wellinghton que esteve no imóvel em 1989 durante pesquisa da USP sobre impactos da poluição industrial na vegetação da Serra do Mar, relatou nas redes ter passado pelo local durante trabalho de campo nas encostas entre as cidades de Cubatão e Bertioga.
“Fiquei acampado nesta casa com outros dois colegas, em pesquisa sobre a influência dos poluentes na vegetação dessas encostas”, comentou. "Eu nunca esqueci daquela experiência, e, uma das razões óbvias, era sobre como teria uma casa tão longe de tudo", finaliza.
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Em Cubatão, as várias trilhas ecológicas são destaque turístico. Recentemente, a Prefeitura lançou um Mapa de Pontos Turísticos da cidade.
Para chegar a Casa de Pedra é preciso atravessar o rio Itapanhaú e uma trilha de nível moderado (Divulgação/Fundação Florestal)A casa também guarda a memória de Seu Nelson, último morador do imóvel, conhecido entre visitantes e trilheiros pela hospitalidade e pelos “causos” contados sobre a região. Ele deixou a propriedade em 2019 e faleceu anos depois, tornando-se personagem marcante da história local.
Hoje, o acesso ao imóvel ocorre exclusivamente por trilha monitorada dentro do Parque Estadual Serra do Mar – Núcleo Bertioga. O percurso atravessa um trecho preservado de Mata Atlântica até a margem do Rio Itapanhaú, considerado o maior rio em extensão do litoral paulista.
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Para chegar à Casa de Pedra, os visitantes precisam inclusive atravessar o rio, tornando a experiência ainda mais singular. O roteiro também inclui paradas em pontos de banho e áreas encachoeiradas dentro do parque, como o Poço da Fenda e o Poço da Nena.
O trajeto possui:
Percurso total: entre 5 e 6 km
Duração: de 4 a 5 horas
Nível de dificuldade: médio
Monitoria obrigatória credenciada pela Fundação Florestal
Capacidade: até 40 pessoas por horário
Última entrada permitida: 12h
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A trilha pode ser cancelada em caso de chuva ou condições climáticas adversas por segurança.
Além de caminhada, parte do percurso também pode ser realizada de bicicleta, conforme disponibilidade e autorização dos monitores.
Conheça mais trilhas formidáveis disponíveis no Parque Estadual Serra do Mar.
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O cenário, que mistura patrimônio histórico, natureza preservada e isolamento quase absoluto, ajuda a explicar por que a construção voltou a chamar atenção décadas depois de seu abandono — agora como um dos pontos mais curiosos e misteriosos da Serra do Mar paulista.