De cardápios exclusivos a transporte na cabine, turismo pet friendly já é realidade no país / Reprodução/Freepik
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O que antes era visto como exceção se tornou uma tendência consolidada no turismo: viajar com animais de estimação. No Brasil, esse movimento ganha ainda mais força diante de um dado expressivo.
Segundo o Instituto Pet Brasil, o país possui cerca de 150 milhões de cães e gatos. Já o IBGE aponta que o número de crianças de até 14 anos é de aproximadamente 40 milhões, ou seja, há mais pets do que crianças nos lares brasileiros.
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Para a doutoranda em Turismo pela Universidade de São Paulo, Vitória Avelino, essa mudança reflete uma transformação no papel dos animais dentro das famílias.
“Mais do que companhias, os pets passaram a ser sujeitos afetivos que influenciam decisões importantes da rotina doméstica, como a escolha de destinos de viagem, meios de transporte e hospedagem”, afirma.
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O crescimento da demanda já impacta diretamente o setor turístico. De acordo com estudo publicado na Revista Hospitalidade, hotéis vêm se adaptando para atender o público que não abre mão de viajar acompanhado dos seus animais.
Em cidades como Belo Horizonte, por exemplo, estabelecimentos passaram a permitir a hospedagem de pets e a oferecer serviços específicos, como áreas de lazer e até cardápios exclusivos para os animais.
O avanço também é percebido no setor aéreo. Dados das companhias brasileiras indicam que cerca de 80 mil pets foram transportados em 2023, sendo que a maioria, cerca de 90%, viajou na cabine, junto aos tutores.
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A LATAM Airlines registrou aumento de 21% no transporte de animais de pequeno porte em voos domésticos entre 2022 e 2024, reforçando a tendência de crescimento desse tipo de demanda.
Além disso, a presença de animais em espaços como shoppings, praias e trilhas tem se tornado cada vez mais comum, acompanhando o novo perfil de viajante.
O turismo pet friendly também movimenta a economia. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, o mercado pet brasileiro faturou cerca de R$ 75 bilhões em 2024, com crescimento de 12,1% em relação ao ano anterior.
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Parte significativa desse valor está ligada à chamada “economia da experiência”, que inclui gastos com viagens, hospedagens e serviços voltados para animais.
Apesar do crescimento, ainda há entraves. Estudos apontam a falta de padronização nos serviços, ausência de capacitação específica para profissionais e até conflitos entre hóspedes com e sem animais, o que exige regras mais claras de convivência.
Para especialistas, o cenário indica uma mudança estrutural no setor. “Pensar em políticas públicas e estratégias voltadas ao turismo pet friendly não é apenas acompanhar uma tendência, mas reconhecer uma transformação nas relações entre humanos e animais”, destaca Vitória Avelino.
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Segundo ela, ignorar esse movimento é manter uma visão ultrapassada do turismo. “Hoje, viajamos não apenas com malas e documentos, mas com vínculos afetivos que latem e ronronam, e que também movimentam bilhões”, conclui.
Informações da USP*