Turismo

Cidade brasileira supera litorais famosos, vira 'fenômeno' de parques e quer aeroporto internacional

Município já possui a 2ª maior rede hoteleira de SP e aposta em atrações noturnas e 'secas' para ampliar estada turística

Jeferson Marques

Publicado em 19/01/2026 às 16:39

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Olímpia, no interior de SP, está se consolidando como destino turístico marcante / Imagem ilustrativa/IA

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Esqueça por um momento as tradicionais capitais do Nordeste ou as badaladas praias do litoral sulista. Um fenômeno econômico e turístico está ocorrendo longe do oceano, no interior do estado de São Paulo, onde uma cidade de pouco mais de 50 mil habitantes reescreveu sua própria geografia. Sem mar, mas com águas termais e uma gestão focada em entretenimento de massa, o município se consolidou como um dos destinos mais visitados do país, desafiando a lógica de que o turismo brasileiro depende da orla.

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O local, que outrora era apenas uma passagem regional, transformou-se em um estudo de caso sobre como a iniciativa privada e o poder público podem criar um ecossistema econômico autossustentável. Ao replicar e adaptar modelos internacionais de gestão de parques temáticos, a cidade deixou de ser uma aposta para se tornar uma realidade estatística, atraindo milhões de visitantes anuais e construindo a segunda maior rede hoteleira de seu estado, atrás apenas da capital.

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Explosão

Os números que sustentam esse crescimento são superlativos e explicam por que investidores de todo o país voltaram seus olhos para a região. Dados recentes do Observatório Regional de Turismo e Eventos indicam uma curva de ascensão agressiva. O ano de 2023 foi encerrado com um recorde histórico de 4,8 milhões de visitantes, um volume de tráfego superior ao de muitos destinos litorâneos consagrados.

A tendência de alta se manteve nos anos seguintes. Levantamentos preliminares do primeiro quadrimestre de 2025 já apontavam para a marca de 1,5 milhão de turistas apenas no início do ano, representando um crescimento de quase 15% em relação ao período anterior. Para suportar essa demanda flutuante, que multiplica a população local dezenas de vezes, a cidade estruturou uma rede hoteleira robusta com mais de 34 mil leitos, superando destinos tradicionais de inverno e verão no estado de São Paulo.

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Referência

O motor dessa engrenagem não é o acaso, mas uma inspiração clara no modelo de negócios da Flórida, nos Estados Unidos. A cidade é frequentemente comparada a Orlando devido à sua estrutura centrada em grandes complexos de lazer. O carro-chefe continua sendo o Thermas dos Laranjais, que frequentemente figura nos rankings globais entre os parques aquáticos mais visitados do mundo, servindo como a âncora inicial para todo o desenvolvimento posterior.

No entanto, a estratégia local evoluiu para evitar a dependência de uma única atração. A chegada de outros complexos, como o Hot Beach, criou uma concorrência saudável que elevou o nível dos serviços e das opções de hospedagem, muitas vezes integradas aos próprios parques. Esse movimento forçou uma profissionalização rápida do setor de serviços, criando uma cultura turística que hoje responde por mais de 60% de toda a movimentação econômica do município.

Blindagem

Para garantir que esse crescimento não fosse apenas uma "bolha" passageira, houve uma movimentação política e jurídica decisiva em 2021, quando o município foi oficializado como o primeiro Distrito Turístico do Estado de São Paulo. Essa mudança de status funciona como uma ferramenta de proteção e incentivo, permitindo uma flexibilidade maior na atração de investimentos privados e na criação de parcerias público-privadas focadas em infraestrutura.

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Essa chancela oficial oferece segurança jurídica para grandes grupos empresariais, que veem na cidade um terreno fértil e desburocratizado para a implantação de novos negócios. O título de Distrito Turístico sinaliza ao mercado que a vocação da cidade é uma política de estado permanente, e não apenas uma prioridade de uma gestão específica, garantindo a continuidade dos projetos de expansão urbana e de saneamento necessários para suportar o fluxo de visitantes.

Alternativas

Um dos maiores riscos para cidades que dependem de parques aquáticos é a sazonalidade ou o clima adverso. Para mitigar esse problema, a cidade de Olímpia investiu pesadamente na diversificação do portfólio de atrações, apostando no conceito de "parques secos" e entretenimento noturno. O objetivo é claro: aumentar o tempo de permanência do turista, fazendo com que ele fique quatro, cinco ou até sete dias na região.

Novos empreendimentos como o Vale dos Dinossauros, o Museu de Cera e o Bar de Gelo — atrações similares às encontradas na Serra Gaúcha — foram instalados para capturar o público familiar fora das piscinas. Mais recentemente, a inauguração do Orionverso, um parque focado inteiramente em realidade virtual, demonstrou a intenção de atrair também o público jovem e gamer, consolidando a região como um polo de entretenimento completo, e não apenas um destino de verão.

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Decolagem

A última fronteira para a internacionalização definitiva do destino é a logística. Até hoje, a dependência de rodovias ou de aeroportos em cidades vizinhas era o principal gargalo para a atração de turistas de regiões mais distantes do Brasil e da América do Sul. Esse cenário, contudo, está prestes a mudar com o projeto do novo Aeroporto Internacional, uma obra de infraestrutura com investimentos na casa de meio bilhão de reais e gestão prevista pela Infraero.

Com entrega estimada para 2026, o terminal foi desenhado para receber voos charters diretos do Nordeste, do Sul e de países vizinhos como Argentina e Chile. Se concretizada conforme o planejamento, a obra eliminará a necessidade de longos deslocamentos terrestres, colocando a cidade paulista na prateleira dos destinos de massa acessíveis globalmente. É o passo que falta para que o "fenômeno do interior" deixe de ser uma surpresa para se tornar uma potência turística consolidada no cenário continental.

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