Turismo
Localizada no sertão de Alagoas, a cidade de Piranhas preserva um dos conjuntos históricos mais bem conservados do Nordeste, tornando-se base turística para visitantes dos cânions do Rio São Francisco
Casarões coloridos e ruas de pedra compõem o centro histórico de Piranhas, considerado um dos conjuntos arquitetônicos mais preservados do Nordeste / Wikimedia Commons/Marinelson Almeida
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Às margens do Rio São Francisco, no alto sertão de Alagoas, o município de Piranhas reúne um raro conjunto de casarões históricos, ruas de pedra e paisagens naturais marcadas por cânions e serras. Conhecida como “Lapinha do Sertão”, a cidade se tornou um dos principais destinos turísticos da região ao combinar patrimônio histórico com natureza.
O apelido surgiu durante a visita do imperador Dom Pedro II à região, em 1859. Encantado com o cenário urbano e a paisagem às margens do rio, ele teria comparado o local à Lapinha portuguesa - uma referência que acabou se consolidando como o principal apelido do município.
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A cerca de 280 quilômetros de Maceió, Piranhas é atualmente considerada a principal porta de entrada aos cânions do Xingó, um dos cenários naturais nordestinos mais conhecidos.
A origem do município remonta ao período colonial. Inicialmente chamado de Tapera, o povoado se desenvolveu como Porto de Piranhas, um ponto estratégico de navegação no São Francisco, além de importante entreposto comercial entre o sertão e outras regiões do Nordeste.
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Impulsionado pela navegação fluvial, o crescimento econômico resultou na construção de diversos casarões entre os séculos XIX e início do XX; muitos desses estabelecimentos apresentavam estilos coloniais, neoclássicos e ecléticos.
Posteriormente, o conjunto arquitetônico local foi reconhecido como patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o qual tombou o centro histórico da cidade em 2004.
Nos dias atuais, o centro histórico preserva fachadas coloridas, escadarias íngremes e construções restauradas. O órgão federal também orienta a conservação das casas históricas, incluindo padrões de pintura e intervenções arquitetônicas.
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Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2004, o conjunto arquitetônico preserva construções erguidas entre os séculos XIX e início do XX. Wikimedia Commons/Peter LouizAlém de símbolo nacional, a região ocupa lugar fundamental na história brasileira; mais especificamente, do cangaço. Em julho de 1938, o grupo liderado por Lampião e por Maria Bonita foi surpreendido por forças policiais na Grota do Angico, em Sergipe, nas proximidades do rio.
Após o confronto, as cabeças dos cangaceiros foram levadas para Piranhas e exibidas nas escadarias do antigo palácio municipal, em uma fotografia que se tornaria um dos registros mais conhecidos da história do cangaço.
Atualmente, o episódio é lembrado na chamada Rota do Cangaço, um dos passeios turísticos locais mais procurados, abrangendo trilhas pela caatinga e visitas ao local no qual a emboscada foi realizada.
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O município consiste em uma base à exploração dos cânions do Xingó, formados ao longo do curso do São Francisco e intensificados posterior à construção da Usina Hidrelétrica de Xingó.
Percorrendo paredões rochosos, que podem ultrapassar dezenas de metros de altura, os passeios de catamarã apresentam paradas para banho em piscinas naturais, bem como visitas a formações rochosas como a Gruta do Talhado.
Outros pontos turísticos da cidade incluem:
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Os locais citados oferecem vistas do rio e do casario histórico, além de exposições sobre a cultura sertaneja e a navegação no Velho Chico.
A cidade de Piranhas também marcou a história do cangaço: após a morte de Lampião e Maria Bonita na Grota do Angico, em 1938, as cabeças do grupo foram exibidas nas escadarias do antigo palácio municipal. Wikimedia Commons/Marinelson AlmeidaMarcada por ingredientes do próprio rio, a culinária local engloba restaurantes e bares da orla fluvial, disponibilizando pratos tradicionais da cozinha sertaneja e ribeirinha. Dentre as especiarias mais conhecidas, estão:
*O texto contém informações dos portais Correio Braziliense, Tribuna Hoje, Tribuna do Sertão e Iphan.gov
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