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Robô com IA e 'piloto automático' para cegos detecta obstáculos e será lançado em 2026

Criado para guiar pessoas cegas, dispositivo usa sensores e inteligência artificial para conduzir o trajeto com mais autonomia no dia a dia

Thiago Felipe Camargo

Publicado em 14/04/2026 às 18:05

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Nova tecnologia pode revolucionar locomoção de pessoas com deficiência visual / Divulgação Glidance

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Uma nova tecnologia começa a ganhar espaço no mundo da mobilidade assistiva ao propor uma mudança prática na forma como pessoas cegas se deslocam no dia a dia.

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Desenvolvido pela Glidance, o Guidi, também chamado de Glide, é um dispositivo criado para funcionar como um guia físico durante a caminhada.

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Em vez de depender de comandos constantes, ele conduz o usuário ao longo do trajeto, identificando obstáculos e ajustando a direção em tempo real.

Outro projeto em prol dos deficientes visuais também foi desenvolvido pela USP.

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Como funciona o Guidi?

O funcionamento parte de uma lógica simples. O usuário segura o equipamento à frente do corpo e caminha normalmente, enquanto o dispositivo acompanha o movimento.

Com duas rodas em contato com o chão e um sistema próprio de direção, o Guidi ajusta o trajeto de forma contínua. Ele corrige a rota, evita colisões e mantém o deslocamento sem a necessidade de comandos a todo momento.

A condução acontece de forma natural. Em vez de instruções constantes, o equipamento orienta o movimento, permitindo que o usuário mantenha o ritmo da caminhada. Confira o vídeo da tecnologia no canal da Glidance.

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Leitura do ambiente em tempo real

Por trás dessa condução existe um sistema que combina sensores, câmeras e inteligência artificial para interpretar o ambiente ao redor.

O dispositivo consegue identificar obstáculos no caminho, inclusive objetos em movimento, além de elementos acima da linha do corpo, como placas ou galhos. Também reconhece desníveis, como buracos e mudanças na calçada.

Ao mesmo tempo, o sistema entende pontos importantes do trajeto. Portas, elevadores, escadas e faixas de pedestre entram nessa leitura, permitindo que o usuário seja conduzido até esses locais sem precisar depender apenas de orientação externa.

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O Guidi não atua apenas como um sistema de prevenção de colisões. Ele também trabalha na manutenção da direção, ajudando o usuário a seguir em linha reta e reduzindo desvios comuns durante a caminhada.

Em situações mais complexas, como travessias, o dispositivo consegue alinhar o corpo do usuário com o caminho e manter o trajeto até o outro lado.

O uso pode acontecer de duas formas. Há a possibilidade de seguir rotas definidas previamente, mas também existe a navegação livre, em que o equipamento responde apenas ao ambiente ao redor.

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Como o Guidi deve ajudar o dia a dia?

O equipamento foi pensado para ambientes reais. Calçadas, ruas, parques e locais com maior fluxo fazem parte do cenário de uso.

O dispositivo também foi projetado para lidar com diferentes condições, incluindo variações de terreno e situações como chuva, o que amplia as possibilidades de utilização fora de ambientes controlados.

Testes do produto já nas ruasTestes do produto já nas ruas / Reprodução YouTube Glidance

Outro ponto importante é a evolução do sistema. O software pode ser atualizado, o que permite ajustes e melhorias ao longo do tempo conforme o uso avança.

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O Guidi tem um formato compacto e portátil, com peso próximo de 3,5 quilos, pensado para ser transportado com facilidade.

A estrutura inclui uma alça ajustável, que fornece respostas táteis durante o uso, além de recursos de áudio que podem auxiliar na navegação quando necessário. Sensores de profundidade ampliam o alcance da leitura do ambiente, enquanto o sistema de controle permite ajustes na direção e até parada automática em determinadas situações.

A bateria foi projetada para suportar várias horas de uso contínuo, o que permite a utilização ao longo de diferentes deslocamentos no dia a dia.

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Guidi vive fase de testes

A mobilidade de pessoas cegas ainda é baseada principalmente no uso da bengala e do cão-guia.

O Guidi surge como mais uma alternativa nesse cenário. A proposta não é substituir completamente essas soluções, mas ampliar as possibilidades, principalmente em ambientes mais dinâmicos.

Nos testes realizados até agora, a experiência tem sido frequentemente comparada à de um cão-guia, principalmente pela forma contínua como o dispositivo conduz o trajeto.

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O dispositivo ainda passa por uma fase de testes com participação direta de usuários.

A empresa vem coletando feedback em situações reais de uso, o que permite ajustes antes do lançamento comercial. A previsão é de que as primeiras unidades comecem a ser entregues de forma gradual a partir deste ano.

Destaque recente

O Guidi ganhou visibilidade ao aparecer entre as inovações apresentadas na CES 2026, nos Estados Unidos.

Mesmo sem apostar em telas ou comandos por voz como foco principal, o dispositivo chamou atenção pela proposta direta e pela aplicação prática no dia a dia.

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