Apesar da retirada em ritmo acelerado, os orelhões ainda não vão desaparecer completamente do país neste momento / ImageFX
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Eles já foram símbolo das ruas brasileiras, cenário de despedidas emocionadas, recados urgentes e até 'telefonemas misteriosos'. Mas agora, o que antes era parte do cotidiano de milhões de pessoas está com os dias contados: os orelhões estão sendo retirados do Brasil.
A partir deste mês, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou a retirada definitiva dos telefones públicos espalhados pelo país. Atualmente, ainda existem cerca de 38 mil orelhões instalados em vias públicas, número muito inferior ao registrado anos atrás: em 2020, eram quase 200 mil.
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A queda representa não só a transformação tecnológica do país, mas também o fim de uma era.
Segundo a Anatel, a mudança acontece principalmente porque os contratos antigos de telefonia fixa chegaram ao fim, e com isso as operadoras deixaram de ter obrigação de manter os telefones públicos funcionando nas ruas.
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Com a nova realidade de consumo — em que celulares e aplicativos dominam — a exigência agora é outra: as empresas devem direcionar investimentos para ampliar a infraestrutura de telecomunicações, priorizando:
melhoria do sinal de celular
expansão da internet banda larga
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Ou seja, no lugar de manter um serviço em desuso, as operadoras passam a concentrar esforços em serviços considerados essenciais no presente.
Apesar da retirada em ritmo acelerado, os orelhões ainda não vão desaparecer completamente do país neste momento.
A Anatel prevê que os aparelhos precisam ser mantidos até 2028 em regiões onde ainda não há cobertura adequada de celular, especialmente em localidades onde determinada operadora seja a única prestadora do serviço.
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Em nota, a agência explicou que as empresas assumiram compromissos de manter o serviço de telecomunicações com funcionalidade de voz (incluindo orelhões) até 31 de dezembro de 2028, podendo ser realizado 'por meio de quaisquer tecnologias'.
'As empresas assumiram compromissos de manutenção da oferta de serviço de telecomunicações com funcionalidade de voz (incluindo os orelhões), em regime privado, por meio de quaisquer tecnologias, em localidades nas quais as empresas forem as únicas prestadoras presentes, até o prazo máximo de 31 de dezembro de 2028', afirmou a Anatel.
Mesmo em desuso, os orelhões continuam despertando nostalgia. Antes dos celulares chegarem a praticamente todo mundo — inclusive aos mais velhos — os telefones públicos eram a saída rápida para emergências, ligações fora de casa e comunicação em locais distantes.
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Agora, com a retirada definitiva, a tendência é que eles deixem de ser presença física nas ruas e passem a existir apenas como memória de uma geração que cresceu ouvindo a clássica pergunta: 'Você tem ficha aí?'