Tecnologia

Como a tecnologia 'invasiva' nos celulares virou arma contra temporais no litoral de SP

Entenda o sistema que faz o telefone tocar até você ler o aviso, e que nasceu como legado após a tragédia em São Sebastião há três anos

Giovanna Camiotto

Publicado em 19/02/2026 às 23:00

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Defesa Civil emite alerta de tempestade / Arte/DL

Continua depois da publicidade

O Governo de São Paulo adotou ferramentas importantes na prevenção de desastres ambientais, três anos após a chuva que matou 64 pessoas em São Sebastião, no litoral norte. Acontece que a tragédia deixou lições que motivaram o uso de sirenes, alertas no celular, treinamento da população e tecnologia avançada para prever grandes eventos meteorológicos e para salvar vidas. 

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

A catástrofe ocorreu em 19 de fevereiro de 2023, quando as equipes da Defesa Civil do Estado de São Paulo foram mobilizadas nos primeiros momentos do temporal. No entanto, a situação se agravou devido a falta de sinal telefônico e aos bloqueios na única rodovia que corta o município e que dificultaram o acesso às áreas atingidas. 

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Frente fria se aproxima do litoral de SP e Defesa Civil alerta para chuvas fortes e alagamentos

• Defesa Civil alerta para calor extremo e risco maior a crianças e idosos em SP

• Defesa Civil alerta para temporais, queda de temperatura e ondas de até 3,5 metros no Litoral Norte

“Nós não tínhamos a perspectiva da dimensão do tamanho do desastre. Perdemos comunicação e isso dificultou muito a tomada de decisão inicial”, relembrou ao Agência SP o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Rinaldo de Araújo Monteiro, que participou das operações.

Na época, o município de quase 120 quilômetros de extensão foi impactado por deslizamentos de terra durante a tempestade e, em alguns trechos, havia até três metros de altura de lama. O cenário era tão crítico que impediu a passagem de equipes de resgate e de ajuda humanitária.

Continua depois da publicidade

Nova fase tecnológica

Com a experiência, a Defesa Civil transformou o atual sistema de monitoramento e comunicação de risco em algo mais efetivo e, em dezembro de 2024, o Estado de São Paulo passou a utilizar o sistema Cell Broadcast, uma tecnologia que envia alertas diretamente aos celulares localizados em áreas de risco.

Até o final do ano passado, a tecnologia emitiu 216 alertas pelo sistema em todo o estado sem os moradores realizar cadastro prévio. Diferentemente do antigo modelo por SMS, o Cell Broadcast utiliza um sinal sonoro específico e georreferenciamento.

“O alerta extremo toca até a pessoa dar um ‘ok’. Enquanto ela não interagir, ele continua emitindo o sinal. Mas não basta a tecnologia: a população precisa saber o que fazer quando recebe esse aviso e para onde deve se deslocar”, explicou o coronel. 

Continua depois da publicidade

Mas a modernização não substituiu o conhecimento humano e os moradores de áreas de risco, como a Vila do Sahy, em São Sebastião, receberam treinamentos comunitários da Defesa Civil, com definição de rotas de fuga para casos de emergência e de pontos seguros.

Além disso, a tecnologia também incluiu reforço na rede de monitoramento meteorológico, como um radar instalado em Ilhabela, que complementa a leitura atmosférica no Litoral Norte e intensifica a capacidade de identificação de sistemas de chuva de baixa altitude.

Continua depois da publicidade

O sistema Cell Broadcast envia mensagens com um sinal sonoro específico que só para de tocar após a interação do usuário. A tecnologia é projetada para garantir que o aviso de perigo extremo seja lido imediatamente, mesmo que o celular esteja no modo silencioso/Agência SP
O sistema Cell Broadcast envia mensagens com um sinal sonoro específico que só para de tocar após a interação do usuário. A tecnologia é projetada para garantir que o aviso de perigo extremo seja lido imediatamente, mesmo que o celular esteja no modo silencioso/Agência SP
Diferente do antigo modelo por SMS, a nova tecnologia de alertas georreferenciados não exige que o cidadão cadastre o CEP. As mensagens são enviadas automaticamente para todos os aparelhos conectados às torres de celular nas áreas de risco delimitadas/Agência SP
Diferente do antigo modelo por SMS, a nova tecnologia de alertas georreferenciados não exige que o cidadão cadastre o CEP. As mensagens são enviadas automaticamente para todos os aparelhos conectados às torres de celular nas áreas de risco delimitadas/Agência SP
O novo radar instalado em Ilhabela foi estrategicamente posicionado para capturar sistemas de chuva que se formam em altitudes baixas. Essa era uma "ponto cego" dos equipamentos antigos e foi determinante no temporal que atingiu o Litoral Norte em 2023/Agência SP
O novo radar instalado em Ilhabela foi estrategicamente posicionado para capturar sistemas de chuva que se formam em altitudes baixas. Essa era uma "ponto cego" dos equipamentos antigos e foi determinante no temporal que atingiu o Litoral Norte em 2023/Agência SP
Em áreas de risco muito alto, como a Vila do Sahy, a tecnologia digital é reforçada por sirenes físicas. O equipamento serve como um comando sonoro para que a população inicie a evacuação pelas rotas de fuga já treinadas em simulados comunitários/Agência SP
Em áreas de risco muito alto, como a Vila do Sahy, a tecnologia digital é reforçada por sirenes físicas. O equipamento serve como um comando sonoro para que a população inicie a evacuação pelas rotas de fuga já treinadas em simulados comunitários/Agência SP
O estado de São Paulo conta agora com sete radares meteorológicos operando em tempo real. Essa rede permite uma leitura precisa da atmosfera, ajudando a Defesa Civil a prever o volume de água e a velocidade de deslocamento de frentes frias extremas/Agência SP
O estado de São Paulo conta agora com sete radares meteorológicos operando em tempo real. Essa rede permite uma leitura precisa da atmosfera, ajudando a Defesa Civil a prever o volume de água e a velocidade de deslocamento de frentes frias extremas/Agência SP

Atenção às áreas de risco

Por falar na Vila do Sahy, o Estado também implantou uma sirene de alerta nesta área classificada como de risco muito alto para deslizamentos no Litoral Norte. O acionamento fez parte dos treinamentos da Defesa Civil junto à população litorânea.

Além dos pontos citados acima, a Defesa Civil ampliou a estrutura para atender os 645 municípios paulistas com coordenadorias estruturadas e viaturas equipadas para a contenção de danos. O fortalecimento local é tratado como eixo central do sistema estadual.

“Não conseguimos eliminar o risco. Nós vivemos em um país tropical, precisamos conviver com a chuva e com os fenômenos naturais. O que fazemos é mudar a cultura da percepção do risco, para que a pessoa receba o alerta, compreenda a gravidade e se coloque em segurança”.

Continua depois da publicidade

“Para termos um sistema estadual forte, precisamos ter sistemas municipais fortes. O município, por menor que seja, tem que ter uma estrutura mínima para saber o que fazer no período de chuva, para que ele tenha condições de dar uma resposta ou saber quem ele vai acionar para apoiá-lo”, resumiu Monteiro.

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software