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A ilusão de ganhar tempo: Por que acelerar o áudio está, na verdade, deletando sua memória

Saiba como o hábito de ouvir áudios e ver vídeos rápidos pode estar prejudicando sua memória e foco

Agência Diário

Publicado em 16/02/2026 às 19:17

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Especialistas explicam os riscos cognitivos de usar a velocidade 2x em plataformas como YouTube e WhatsApp / (Foto: Freepik)

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Muitas pessoas acreditam que estão “ganhando tempo” ao acelerar um podcast, uma videoaula ou até uma série.

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Mas essa busca por eficiência máxima pode estar minando o aprendizado, a concentração e até o prazer de consumir conteúdo.

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Em um cotidiano cada vez mais apressado, ouvir e assistir tudo em 1,5x ou 2x virou quase automático, e isso tem um custo para o cérebro.

Em um cotidiano cada vez mais apressado, consumir áudios e vídeos em 1,5x ou 2x virou hábito quase automático / Pixabay
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A busca por produtividade faz muita gente acelerar conteúdos para "ganhar tempo" / Pixabay
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Ouvir tudo em velocidade maior pode reduzir pausas naturais de reflexão e absorção / Pixabay
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Nem todo conteúdo foi feito para ser consumido às pressas / Pixabay
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A aceleração constante pode transformar momentos de aprendizado em simples tarefas a cumprir / Pixabay
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Às vezes, desacelerar é a melhor forma de realmente entender o que está sendo dito / Pixabay
Às vezes, desacelerar é a melhor forma de realmente entender o que está sendo dito / Pixabay

Quando acelerar virou regra

O hábito ganhou força com a popularização dos controles de velocidade em plataformas como YouTube e Netflix, que passaram a permitir que vídeos e séries fossem consumidos em menos tempo.

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Depois, a prática migrou para os aplicativos de mensagens: em 2021, o WhatsApp liberou a reprodução acelerada de áudios, o que transformou o “ouvir rápido” em uma espécie de norma social.

Esse movimento é frequentemente chamado de speedwatching e nasceu como resposta ao excesso de informação disponível na internet.

Com tanto conteúdo disputando atenção, acelerar parece uma solução prática para dar conta de tudo. O problema é que o cérebro não funciona como um reprodutor de vídeo.

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Veja também: Álcool e dopamina: por que o cérebro entra em um ciclo de dependência, segundo ciência.

Menos envolvimento, mais cansaço

Em entrevista ao Jornal da USP, o psicólogo Mário Glória Filho explica que quanto mais a pessoa acelera um conteúdo, menos envolvente a experiência se torna.

Segundo ele, o uso frequente desses recursos cria uma relação mecânica com o entretenimento e o estudo, aumentando a sensação de tédio e insatisfação.

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Além disso, tentar processar muitas informações em pouco tempo gera sobrecarga mental.

O resultado pode ser irritabilidade, fadiga, ansiedade e dificuldade de manter o foco, especialmente quando isso se soma a uma rotina já acelerada.

Impactos no cérebro e na memória

A professora Flávia Marucci, da Universidade de São Paulo, alerta que o cérebro pode se acostumar a estímulos rápidos e intensos.

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Quando isso acontece, informações apresentadas em ritmo normal passam a parecer “lentas demais”, o que prejudica a compreensão e a retenção.

A consequência direta é um impacto negativo na memória e na capacidade de aprender com profundidade.

Veja também: Refrigerante zero açúcar pode acelerar envelhecimento do cérebro, diz estudo.

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Vale mesmo a pena?

A aceleração pode até ajudar em situações pontuais, como revisar um conteúdo já conhecido.

Mas transformar isso em regra tende a trocar qualidade por pressa.

Em vez de realmente economizar tempo, o speedwatching pode estar cobrando um preço alto: menos aprendizado, mais cansaço e uma relação cada vez mais ansiosa com a informação.
 

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