Especialistas explicam os riscos cognitivos de usar a velocidade 2x em plataformas como YouTube e WhatsApp / (Foto: Freepik)
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Muitas pessoas acreditam que estão “ganhando tempo” ao acelerar um podcast, uma videoaula ou até uma série.
Mas essa busca por eficiência máxima pode estar minando o aprendizado, a concentração e até o prazer de consumir conteúdo.
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Em um cotidiano cada vez mais apressado, ouvir e assistir tudo em 1,5x ou 2x virou quase automático, e isso tem um custo para o cérebro.
O hábito ganhou força com a popularização dos controles de velocidade em plataformas como YouTube e Netflix, que passaram a permitir que vídeos e séries fossem consumidos em menos tempo.
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Depois, a prática migrou para os aplicativos de mensagens: em 2021, o WhatsApp liberou a reprodução acelerada de áudios, o que transformou o “ouvir rápido” em uma espécie de norma social.
Esse movimento é frequentemente chamado de speedwatching e nasceu como resposta ao excesso de informação disponível na internet.
Com tanto conteúdo disputando atenção, acelerar parece uma solução prática para dar conta de tudo. O problema é que o cérebro não funciona como um reprodutor de vídeo.
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Veja também: Álcool e dopamina: por que o cérebro entra em um ciclo de dependência, segundo ciência.
Em entrevista ao Jornal da USP, o psicólogo Mário Glória Filho explica que quanto mais a pessoa acelera um conteúdo, menos envolvente a experiência se torna.
Segundo ele, o uso frequente desses recursos cria uma relação mecânica com o entretenimento e o estudo, aumentando a sensação de tédio e insatisfação.
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Além disso, tentar processar muitas informações em pouco tempo gera sobrecarga mental.
O resultado pode ser irritabilidade, fadiga, ansiedade e dificuldade de manter o foco, especialmente quando isso se soma a uma rotina já acelerada.
A professora Flávia Marucci, da Universidade de São Paulo, alerta que o cérebro pode se acostumar a estímulos rápidos e intensos.
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Quando isso acontece, informações apresentadas em ritmo normal passam a parecer “lentas demais”, o que prejudica a compreensão e a retenção.
A consequência direta é um impacto negativo na memória e na capacidade de aprender com profundidade.
Veja também: Refrigerante zero açúcar pode acelerar envelhecimento do cérebro, diz estudo.
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A aceleração pode até ajudar em situações pontuais, como revisar um conteúdo já conhecido.
Mas transformar isso em regra tende a trocar qualidade por pressa.
Em vez de realmente economizar tempo, o speedwatching pode estar cobrando um preço alto: menos aprendizado, mais cansaço e uma relação cada vez mais ansiosa com a informação.
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