Uma data marcada por protestos em todo País

Sem motivos para comemorações, aposentados realizam manifestações no Dia do Aposentado.

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25 JAN 201310h17

Sem motivos para comemorações, os aposentados de todo País realizaram nesta quinta-feira (25), no Dia Nacional da categoria, protestos e manifestações. Eles reivindicaram aumento real nos benefícios, recuperação das perdas dos últimos anos que chegam a 80% e também o fim do fator previdenciário. Em Santos, as manifestações ocorreram na Praça Mauá.

Dos 26 milhões de aposentados e pensionistas no Brasil, apenas 1% são independentes financeiramente. Outros 46% dependem de parentes, 28% estão na beira da miséria e 25% têm que continuar trabalhando, de acordo com levantamento do Instituto de Educação Financeira (Disop), baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Diário do Litoral ouviu alguns aposentados.

Um deles, é Cézar Augusto Ribeiro, 68 anos, que aposentou-se em 2006, mas precisou voltar para o mercado de trabalho. “Me aposentei com oito salários mínimos. Hoje, ganho pouco mais de três. É muito pouco para quem contribuiu muito. O poder de compra deveria ser o mesmo, ou seja: teria que continuar ganhando pelos mesmos 8 salários. disse Ribeiro, que gasta cerca de R$ 1.200,00 por mês só com medicamentos para hipertensão, diabetes e problemas renais.

Sem pensar em parar, ele trabalha oito horas por dia fazendo cálculos periciais para um escritório de contabilidade em pericias contábeis de Santos. “Estou buscando a revisão do meu benefício, mas sei que mesmo que obtenha êxito, terei que continuar no batente, pois a aposentadoria no Brasil é muito baixa”.

Manifestações - Aposentados promoveram nesta quinta-feira (25), na Praça Mauá, em Santos,manifestações pedindo aumento real. (Foto: Matheus Tagé/ DL)

Maria das Dores Alvin, 54 anos,aposentou-se em 2008, com cinco salários mínimos e também permaneceu trabalhando numa clínica veterinária de Praia Grande. Foi demitida em 2011 e no ano passado conseguiu emprego numa outra clínica médica em Santos, onde ganha cerca de dois salários mínimos.

Ela diz que ainda não pode parar de vez de trabalhar sem ter um complemento na renda. “Quando a gente se aposenta, o custo do transporte, da refeição, do plano de saúde, fica tudo por nossa conta, pois deixamos de receber vale-transporte, vale-alimentação e também o plano de saúde da empresa”, explica.

Aposentadoria é preocupação dos brasileiros

A aposentadoria é uma  preocupação constante da maioria dos trabalhadores e profissionais autônomos de todo o mundo. Recente pesquisa aponta que o Brasil está entre os países em que mais pessoas têm dúvidas sobre como irão se sustentar quando tiverem que passar para a inatividade. A pesquisa é da Accenture e foi feita com mais de 8 mil trabalhadores de 15 países, com idades entre 25 e 60 anos.

Segundo o levantamento, 90% dos brasileiros se dizem preocupados com sua situação financeira após a aposentadoria. É mais do que a média global, de 82%, e o quinto país em que o índice é mais alto.

Apenas 13% dos brasileiros estão confiantes de que a atual situação financeira, incluindo suas economias e investimentos, será suficiente para o sustento após terem parado de trabalhar. A média global é de 16%. Os países mais otimistas nesse sentido são a Índia, que desponta no ranking da pesquisa com 39% das pessoas confiantes com o futuro, e a China, onde 28% pensam o mesmo.

A pesquisa apontou ainda que a maioria dos profissionais considera necessário economizar.