Trabalho escravo é usado para desmatamentos no Brasil

Um estudo da Organização Mundial do Trabalho (OIT) indica que o trabalho escravo no Brasil se encontra, principalmente, em zonas de desmatamento da Amazônia e áreas rurais com índices altos de violência e conflitos ligados à terra

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06 FEV 201323h30

Segundo a publicação, apesar dos avanços feitos pelo Governo brasileiro nos últimos anos, "a mão-de-obra escrava continua sendo usada no País para desmatar a Amazônia, preparar a terra para a criação do gado e em atividades ligadas a agricultura em áreas rurais".

A análise faz parte do livro ‘Forced Labor: Coercion and Exploitation in the Private Economy’ (‘Trabalho Forçado: Coerção e Exploração na Economia Privada’, em tradução livre), que será lançado pela OIT no próximo domingo, quando se comemora o Dia Mundial em memória do tráfico de escravos e da abolição da escravatura.

A obra apresenta uma série de estudos de caso sobre formas de escravidão modernas na América Latina, Ásia, África e Europa e traz um capítulo específico sobre o Brasil.

De Rondônia ao Maranhão

Com base na análise de dados e estatísticas do Governo brasileiro e da Comissão Pastoral da Terra, a OIT constata que a correlação mais evidente se verifica no sul e sudeste do Estado do Pará que, entre 2000 e 2004, registrou quase a metade das operações do governo para libertar os trabalhadores escravos. No mesmo período, o Estado contribuiu com 38,5% do desmatamento total do País e registrou 44,12% dos crimes ligados a terra, indica a OIT.

Os dados analisados também demonstram que o trabalho escravo vem sendo utilizado para aumentar a produção agrícola e para o preparo das áreas desmatadas que serão transformadas em pastos.

"De fato, as propriedades rurais que usam o trabalho escravo estão concentradas exatamente numa faixa de terra onde foram abertas clareiras, que vai de Rondônia ao Maranhão", afirma Roger Plant, diretor do programa contra trabalho forçado da OIT. "A correlação entre o trabalho escravo e os desmatamentos no Brasil é uma das conclusões interessantes desse estudo", diz.