Trabalhadores temem demissão em massa com proibição de vendas

A decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de interromper a venda do Speedy está assustando os trabalhadores da atividade

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27 JAN 201321h25

A decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de interromper a venda do Speedy, serviço de banda larga da Telefônica, está assustando os trabalhadores da atividade, principalmente os de empresas terceirizadas, que veem na iniciativa o início de um processo de demissão em massa, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços e Instaladoras de Sistemas e Redes de TV por Assinatura Cabo, MMDS, DTH e Telecomunicações (SINSTAL) e Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (SINTETEL).

As empresas prestadoras dessa modalidade de serviço têm sob contrato, somente nesta área, cerca de cinco mil funcionários. Caso prevaleça a decisão, as demissões podem afetar um universo de mais de 20 mil pessoas contando os familiares desses trabalhadores.

Nota enviada pela assessoria de imprensa de dois sindicatos especula os danos não só para os trabalhadores, mas os problemas na prestação dos serviços, com uma possível demissão em massa.

“Uma demissão em massa poderá gerar um caos nos serviços de manutenção, além disso, mantida a decisão, ocorrerá uma série de retrocessos no segmento: funcionários são profissionais formados pelas empresas terceirizadas ao longo dos últimos anos, treinados e qualificados para absorver os avanços tecnológicos constantes no segmento de serviços de banda larga.

Portanto, a demissão desses profissionais significará não somente a perda de uma mão de obra altamente capacitada na atividade, como também a dispersão de um conhecimento tecnológico acumulado no decorrer de vários anos e que significou substantivos investimentos de parte das empresas prestadoras de serviços”.

Os sindicatos consideram ainda as conquistas salariais desses trabalhadores qualificados. “Com a qualificação técnica e a especialização, esses profissionais conquistaram melhorias em suas remunerações e adquiriram vários benefícios como reajuste salarial acima dos índices inflacionários, participação nos resultados das empresas, planos de saúde, adicional de periculosidade e assistência social; como consequência desses avanços na terceirização voltada para as telecomunicações, há, hoje, inequívoca melhora na qualidade dos serviços, que se reflete na expressiva redução dos prazos para a instalação de linhas de telefones fixos e móveis”.

Os problemas na prestação de serviço, conforme os sindicatos, deve-se aos sistemas de instalações. “Anteriormente, a média para instalação e habilitação de celulares e telefones fixos superava 24 meses. Atualmente, esta operação não leva mais do que 10 minutos. As empresas privadas são totalmente dependentes dos serviços de internet – banda larga, cuja instalação é feita em uma hora e meia.

Além desses retrocessos, os trabalhadores e as empresas prestadoras de serviços temem, ainda, os prejuízos aos consumidores, caso a decisão seja mantida por mais tempo. Por exemplo, mesmo no Estado de São Paulo há localidades que são atendidas somente pela Telefônica. Com a proibição, os moradores dessas regiões estarão simplesmente impedidos de utilizar a internet”, encerra a nota.