Sindicalista tem que ter visão social

PAPO COM SINDICALISTA. Francisco Nogueira, Presidente do Settaport

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30 MAI 2016Por Francisco Aloise 11h00
Francisco Nogueira, o Chico do SettaportFrancisco Nogueira, o Chico do SettaportFoto: Divulgação

Idealizador e criador da Fundação Settaport, o sindicalista Francisco Nogueira, Chico do Settaport, acredita na integração porto/cidade com desenvolvimento de ação social. Na presidência do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários do Porto de Santos (Settaport), criou um meio de comunicação direta com os associados através do Canal Aquaviário e desenvolve projetos de qualificação profissional, além de cursos para jovens.
“O sindicato representa 12 mil trabalhadores e tem 5 mil sócios. Eram 15 mil em 2013. Tivemos  perda de 3 mil associados nos últimos três anos”, informa o sindicalista.
Francisco Nogueira diz que sua diretoria incentiva a participação efetiva dos trabalhadores em  assembleias e por isso mesmo elas acabam sendo muito participativas.
O Settaport foi fundado em 1937 e o sindicalista está em seu quarto mandato na presidência.

Diário do ­Litoral ­- Como está a situação do desemprego na ­categoria?
Francisco Nogueira:  Nós perdemos três mil postos de trabalho nos últimos três anos e, mais recentemente, cerca de 200 trabalhadores foram demitidos pela empresa portuária Libra, que pretendia fazer novas demissões, mas foi impedida por uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT/SP), a quem recorremos para garantir o nosso mercado de trabalho. Estamos lutando agora para que a empresa indenize os demitidos e a questão está no tribunal.

Diário - O que levou o sindicato a criar a Fundação Settaport?
Nogueira - Sempre acreditei numa integração entre porto e a cidade. A busca por maior integração entre esses dois setores levou o Settaport a criar a sua própria Fundação de responsabilidade social e, por meio dela, atuar no que diz respeito a questões delicadas como educação pelo esporte, empregabilidade, inclusão digital e preservação do meio ambiente. E essa visão social encontrou respaldo em meus companheiros de diretoria e há oito anos criamos a fundação que tem essa responsabilidade social. Foi uma iniciativa pioneira e que está dando seus frutos em favor da sociedade.

Diário - Os cursos oferecidos pela Fundação são gratuitos?
Nogueira - Sim, todos os cursos são gratuitos e integram o nosso programa de qualificação profissional. Apenas os cursos rápidos, que são desenvolvidos e ministrados em uma semana, são pagos pelos interessados, mas com preços acessíveis.

Diário - E qual o curso gratuito que está sendo desenvolvido no momento pela Fundação ­Settaport?
Nogueira - Estamos com cursos intensivos de qualificação profissional, todos gratuitos, com 270 vagas, que será realizado na UME Pedro II, na Avenida Aristóteles Menezes, 41, na Ponta da Praia. As inscrições começaram no último dia 18 e são vários cursos na área de operação portuária e Agenciamento Marítimo, entre eles: conferência de carga, vistoria de contêiner e equipamentos portuários, Logística na Cadeia de Suprimentos, Visitador de Navio e Logística de Agenciamento Marítimo.

Perfil

Francisco Nogueira, funcionário da Marimex na função de agente logístico, está no sindicalismo desde 1992.

Em 1996 formou um grupo de oposição no sindicato que conseguiu destituir a diretoria da entidade.

No mesmo ano disputou e venceu a eleição como vice-presidente. Em 2003 assumiu a presidência, cargo que ocupa até hoje, estando em seu quarto mandato. É casado com Adriana e pai de três filhos, duas meninas e um menino.

É torcedor fanático do Santos FC, clube do qual é sócio e também conselheiro.

Diz que o sindicalismo quase não deixa tempo para a família, pois além do sindicato e da luta sindical, existe a Fundação Settaport, o que faz com que haja dedicação total à categoria.

“Não temos hora para entrar e nem para sair do sindicato, pois somos o porta-voz do trabalhador”, diz Nogueira, que emenda: “sou muito família, gosto de curtir a família, mas infelizmente o tempo para isso está cada vez mais escasso diante da luta ­sindical”.