Duas faixas grandes com os dizeres:‘Milhões para o Carnaval e demissões para o trabalhador’ demostravam o clima de revolta de trabalhadores do Porto, na Câmara de Santos ontem. Liderados pela diretoria do Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Settaport), os portuários lotaram as galerias da Casa e pressionaram os vereadores a se manifestarem contra a Libra Terminais por causa das últimas 100 demissões ocorridas em 4 de fevereiro último.
A pressão deu resultado. O Legislativo santista aprovou uma moção pública pela retomada das negociações e manutenção dos empregos no terminal, apresentada pelo vereador Zequinha Teixeira (PRP), e três ofícios endereçados à presidente Dilma Rousseff, ao ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rosseto, e secretário de Portos, Helder Barbalho, solicitando uma reavaliação na renovação do arrendamento da área da empresa por conta da demissão de mais de 370 trabalhadores entre ano passado e este ano.
Os ofícios foram assinados pela Comissão de Assuntos Portuários e Marítimos da Câmara, que tem Teixeira como presidente e os vereadores Sandoval Soares (PSDB) e Benedito Furtado (PSB) como membros. Na próxima terça-feira (1), às 15h30, o vereador Zequinha Teixeira e o presidente do Settaport, Francisco José Nogueira da Silva, o Chico do Settaport, vão se reunir com Barbalho, em Brasília, para discutir a questão.
“Fizemos uma assembleia e depois trouxemos os trabalhadores para a Câmara. Essa empresa investiu R$ 15 milhões na escola de samba e, logo em seguida, manda trabalhadores embora. É aviso prévio com serpentina. É um desrespeito com os trabalhadores e com a Cidade de Santos. Queremos saber qual será o investimento da Libra para garantir mais 25 anos de arrendamento”, disse Chico do Settaport, que deverá iniciar uma onda de protestos no Município.
Zequinha Teixeira disse que pretende lutar para reverter as demissões. “A empresa devia mais de R$ 840 milhões para o Governo Federal e nunca foi cobrada. Agora, vai investir mais R$ 750 milhões e ganhou mais 25 anos de arrendamento sem licitação, sem nada e ainda demite trabalhadores. Do ano passado para cá foram mais de duas mil demissões no Porto de Santos e não podemos admitir mais isso”, finaliza.
