País já tem 11,4 milhões de desempregados

Desemprego bate recorde em abril e renda real do trabalhador recua 3,3%

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01 JUN 2016Por Da Reportagem11h02
A quantidade de desempregados que procuram emprego cresceu em 3,383 milhões de pessoas no intervalo de um anoA quantidade de desempregados que procuram emprego cresceu em 3,383 milhões de pessoas no intervalo de um anoFoto: Divulgação

O desemprego atingiu 11,2% no trimestre encerrado em abril e o rendimento médio real do trabalhador recuou 3,3%, informou ontem o IBGE. É a maior taxa de desemprego já apurada pela Pnad Contínua, cuja série histórica foi iniciada em janeiro de 2012.

O desemprego em abril bateu recorde negativo no que diz respeito ao contingente de desocupados, que atingiu 11,4 milhões de pessoas, o maior nível já visto pela pesquisa.

A Pnad é a pesquisa de desemprego oficial do instituto. Ela apura dados por trimestre e tem divulgação mensal. O IBGE sugere comparação entre trimestre fechados, para se evitar meses sobrepostos. A pesquisa faz uma verificação em todo o território nacional.

O desemprego do trimestre encerrado em abril (fevereiro, março e abril) superou o registrado no mesmo período de 2015, de 8%. No trimestre fechado imediatamente anterior (novembro, dezembro e janeiro), a taxa foi de 9,5%.

A quantidade de desocupados -desempregados em busca de inserção- cresceu em 3,383 milhões no intervalo de um ano. O número referente aos desocupados do período teve alta de 42,1% em relação ao apurado no trimestre encerrado em abril de 2015.

No intervalo de um ano, 1,545 milhão de pessoas perderam seus empregos. A população ocupada - de fato empregada, formal ou informalmente - encerrou abril em 90,6 milhões, queda de 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Para cada posto de trabalho que se perdeu, surgiram duas pessoas a procura de emprego”, explicou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Renda do IBGE. A conta é possível porque o número de pessoas que perderam o emprego (1,5 milhão) é quase metade das pessoas que entraram na fila (3,3 milhões).

O nível da ocupação, que é o percentual das pessoas com idade para trabalhar que estão empregadas, também atingiu o menor nível, de 54,6%. Há um ano, no trimestre encerrado em abril de 2015, esse valor era de 56,3%.

Setores

A indústria continua perdendo força e, consequentemente, postos de trabalho no país. No trimestre encerrado em abril, a quantidade de trabalhadores foi reduzida em 11,8% em relação a igual período de 2015.

O contingente no setor, conhecido por ter uma mão de obra mais qualificada e pagar salários mais altos, fechou abril em 11,6 milhões. Somente neste setor, a perda de postos atingiu 1,569 milhão de pessoas no intervalo de um ano.

Renda

O rendimento médio real do trabalhador recuou 3,3% na comparação com o mesmo trimestre de 2015. A renda média ficou em R$ 1.962, contra R$ 2.030 registrados em fevereiro, março e abril de 2015.