Na RPBC, em greve 4,8 mil trabalhadores de terceirizada

Em assembleia na manhã desta sexta-feira (4), operários da empreiteira Tomé continuaram a greve iniciada ontem (3)

Comentar
Compartilhar
04 ABR 201419h56

Subiu de 4 mil para 4800 mil o número de empregados da empreiteira Tomé, a serviço da Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC Petrobrás), em greve desde a manhã de quinta-feira (3).Em assembleia na manhã desta sexta-feira (4), na portaria 1 da refinaria, eles decidiram continuar a paralisação, que agora atinge 100% dos empregados da terceirizada.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Montagem de Manutenção Industrial (Sintracomos), Macaé Marcos Braz de Oliveira, tenta negociar com a direção da empresa.

Na segunda-feira (7), haverá nova assembleia, no mesmo local e horário, para deliberar sobre possível parecer da empresa e da direção da RPBC às reivindicações.

Segundo Macaé, os operários têm uma lista de reclamações que vão desde banho em chuveiro frio, sanitários insuficientes e imundos, fossas rasas e malcheirosas até problemas com as refeições.

No almoço, explica o sindicalista, a fila chega a demorar 45 minutos, obrigando o trabalhador a comer às pressas, pois o horário disponível é de uma hora.

O presidente do Sintracomos explica que os refeitórios não repõem saladas e carnes e que faltam até mesmo pratos e bandejas, agravando ainda mais a espera.

Ele reclama que os refeitórios são pequenos para tanta gente e as áreas de vivência determinadas pela norma regulamentadora 18, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), “simplesmente não existem”.

Subiu de 4 mil para 4800 mil o número de empregados da empreiteira Tomé (Foto: Vespariano Rocha)

“Após as refeições, as pessoas não têm onde descansar um pouquinho. Ao contrário, têm que enfrentar mais filas, se quiserem ir ao banheiro. O que é isso? Uma indústria ou um campo de concentração?”

“As filas são intermináveis e insuportáveis. É fila pra tudo. Fila pra ir ao banheiro, para almoçar, para entrar e sair da área. As filas chegam a ter até 600 pessoas, em determinadas circunstâncias”.

Outra denúncia grave diz respeito a erros nos holerites. Segundo Macaé, há casos da empresa pagar apenas 30 dias em meses de 31 dias e de sonegar horas extras trabalhadas.

Há também irregularidades no pagamento do vale-refeição, em desrespeito ao acordo coletivo de trabalho, que deixa de ser pago nas férias, nos afastamentos médicos e aos sábados.

O sindicalista também acusa a empreiteira de não pagar corretamente a participação nos lucros ou resultados (plr), conforme o acordo coletivo, e saldar quitações rescisórias com atraso.

“Os companheiros reclamam, mas não são ouvidos. Permanecem de pé, nos pátios, de manhã, quando chegam, esperando o transporte interno, e à tarde, na hora de ir embora.”

“Nos ônibus, também esperam um tempão para que eles saiam, e acabam se atrasando para as aulas noturnas de cursos que muitos frequentam. Ou simplesmente deixam de ficar mais tempo com familiares e amigos.”

O sindicalista alerta para a falta de condições de evacuação da empresa em necessidade de saída urgente. “Se acontecer um acidente grave, ele pode ser agravado pelos acessos estreitos para tanta gente”.