Marítimos rejeitam acordo de sindicato e OP Mariner

Os trabalhadores foram demitidos na última quarta-feira, data do término do contrato da DERSA com o Consórcio OP Mariner

Comentar
Compartilhar
04 MAR 201322h36

Tensão durante a assembléia dos funcionários demitidos do Consórcio OP Mariner — ex-concessionária do serviço de travessia de balsas, administrada pela DERSA. Na assembléia, realizada na tarde de ontem, no salão paroquial da Igreja Santa Rosa de Lima, em Guarujá, trabalhadores pediram explicações ao assessor do Sindicato Unificado dos Marítimos sobre o acordo firmado com a empresa para pagamento da rescisão contratual de cerca de 660 funcionários, sem o consentimento deles. Os trabalhadores foram demitidos na última quarta-feira, data do término do contrato da DERSA com o Consórcio OP Mariner. 

A empresa propôs pagar as verbas rescisórias que incluem aviso-prévio e salário, féria e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço(FGTS), em 12 parcelas mensais iguais, na última quinta-feira. Sem que os trabalhadores dispensados soubessem, o Sindicato Unificado dos Marítimos aceitou a proposta de parcelamento e assinou o acordo com a OP Mariner. O acordo foi protocolado na Procuradoria Regional do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, na sexta-feira. “Aconteceu tudo muito rápido e o Sindicato entendeu que era melhor para os trabalhadores aceitar o acordo do que acionar a Justiça para receber as rescisões. Entendemos que o pagamento levaria muito mais tempo o que prejudicaria os trabalhadores”.

Os trabalhadores não aceitam receber seus direitos em parcelas. A categoria que alega surpresa com as demissões, exige o pagamento das rescisões à vista. Já a empresa, que enviou um representante à assembléia, declara que não pode quitar as rescisões da ordem de R$ 5 milhões à vista porque a aguarda repasse da DERSA. O representante da empresa, que não quis dar entrevista, disse aos trabalhadores que o parcelamento foi a única saída encontrada pela empresa e que existe um plano para readmitir pelo menos 150 trabalhadores num prazo de cinco meses. O que revoltou os trabalhadores presentes que protestaram.

Após duas horas e meia de reunião conturbada foi formada uma comissão com cinco trabalhadores que representarão os interesses dos demais junto à Delegacia Regional do Trabalho e Ministério Público do Trabalho e as reivindicações da categoria foram redigidas em ata. O documento foi redigido por uma assistente do sindicato onde consta a rejeição dos trabalhadores ao acordo firmado entre o Sindicato e a OP Mariner, a reivindicação do pagamento à vista das rescisões e a contratação por 12 meses dos trabalhadores da OP Mariner pela TWB, que assumiu o serviço de travessia de balsas, sob contrato emergencial.

Nesta terça-feira, a categoria protocolará a ata da assembléia contendo as reivindicações da categoria na Delegacia Regional do Trabalho. Nova assembléia será realizada amanhã para discutir possível contraproposta ou recusa da OP Mariner. O representante do Consórcio não quis comentar sobre a negativa da categoria ao acordo formalizado. Segundo o representante dos trabalhadores, o marítimo Ariovaldo dos Santos Gonçalves, o Lua, os colegas não foram reaproveitados pela TWB por causa dos salários. “As duas empresas OP Mariner e TWB são do mesmo grupo, mas com razões sociais diferentes. Só que o nosso salário era R$ 1.115,00. Agora, os trabalhadores contratados estão ganhando R$ 490,00 pra trabalhar até mais do que a gente”.