‘Intenção é jogar os trabalhadores contra seus sindicatos’, diz Herbert

Sindicalistas dizem que lutam pela representação dos trabalhadores e contra reformas

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12 JUN 2017Por Francisco Aloise 11h00
A marcha sindical realizada em Brasília, no último dia 24 de maio, foi um marco no calendário da luta sindical contra as reformas pretendidas pelo Governo FederalA marcha sindical realizada em Brasília, no último dia 24 de maio, foi um marco no calendário da luta sindical contra as reformas pretendidas pelo Governo FederalFoto: Divulgação

O presidente Michel Temer quer jogar os trabalhadores contra os sindicatos, visando enfraquecer a luta contra as reformas e desviar o foco da mobilização sindical, informam sindicalistas ao Diário do Litoral, logo após a divulgação de que o Presidente da República quer manter por mais algum tempo o imposto sindical obrigatório, buscando apoio para a reforma trabalhista, que se encontra em discussão nas comissões do Senado.

A notícia foi publicada na edição de ontem do DL, após divulgação pela Rádio Senado, com entrevista do vice-líder do Governo, senador Fernando Bezerra Coelho, do PSB de Pernambuco, que falou que Temer estaria disposto em manter o imposto sindical. e para isso teria reativado o Conselho Sindical do Trabalho..

“Não confio mais no que o Presidente da República fala. É o desespero de um Governo que agoniza e que quer jogar os trabalhadores contra seus sindicatos a fim de desviar o foco de sua própria incompetência de tentar impor essas reformas que são nocivas ao País e que tem a intenção apenas de destruir com trabalhadores, aposentados, os sindicatos e a justiça do trabalho”, desabafou Herbert Passos Filho, presidente dos Químicos e vice-presidente da Força Sindical de São Paulo.

Ele diz que o Governo usa o fato para tentar fragilizar o movimento sindical às vésperas de mais uma greve geral já marcada para o dia 30 deste mês. “O que nos interessa é a representação sindical.  Em relação ao custeio das atividades sindicais, essa decisão será feita pelas categorias em assembleias”, disse o sindicalista.

E concluiu:” Nós estamos na luta para sepultar essas reformas e o Governo sentiu isso, pois acaba de autorizar o Congresso a adiar essas votações”.

Ninguém negociou imposto sindical com o presidente, diz NCST

Luís Gonçalves, Luisinho, presidente estadual da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST/SP), também demonstrou sua revolta com o que qualifica como uma jogada do Governo. “O presidente Temer quer enfraquecer a nossa luta. Somos  contra as reformas, pois queremos um amplo debate sobre esse assunto, mas Temer quer simplesmente acabar com os trabalhadores e aposentados”, disse o líder sindical.

Para Luisinho, essa informação do Governo dá a entender que os sindicatos só estão na luta contra a reforma trabalhista por causa do imposto sindical. “O  Governo tenta fragilizar os trablhadores e usa de um expediente condenável, pois nós lutamos pela representação sindical e esse custeio sindical será definido no momento certo por assembleias. Eu garanto que, de nossa parte, ninguém tratou desse assunto com o Governo, e queremos manter a mobilização para a greve prevista para o próximo dia 30”, concluiu.

“Nós não somos contra as reformas, mas entendemos que tem que haver amplo debate sobre assuntos que mexem com a vida dos trabalhadores, servidores  e aposentados. O Governo  está vendendo o País e tenta  enfraquecer a luta do movimento sindical com essa jogada do imposto sindical”, disse Fábio Marcelo Pimentel, diretor em Santos da NCST/SP.