Governo vai confiscar R$ 8,6 bilhões de segurados do INSS

Mais de R$ 8,6 bilhões referentes as ações judiciais que não foram sacados há mais de dois anos pelos beneficiários podem voltar aos cofres da União

No apagar das luzes   dos trabalhos legislativos antes do recesso, o Congresso Nacional aprovou, mediante votação simbólica na Câmara e Senado, projeto de lei do Governo Federal, para devolução aos cofres da União dos valores de ações contra o INSS e outros órgãos federais de até 60 salários mínimos.

O argumento é que essas ações transitaram em julgado há mais de dois anos e o dinheiro não foi sacado pelos beneficiários, permanecendo inativo nos bancos.

Com isso, cerca de 500 mil beneficiários que ganharam essas ações  em todo o País, podem ficar sem o montante de R$ 8,6 bilhões. Isso está previsto para ocorrer durante o mês de agosto. 

São valores dos mais variados tipos de processos, entre revisões e concessões de aposentadorias, pensões e benefícios do INSS, como também ações comuns. No entanto, este montante pode estar com os dias contados e com isso esses beneficiários não terão maias acesso ao ­dinheiro.

O Governo Federal já vinha sinalizando que iria buscar esses recursos sem movimentação que são  referentes a precatórios de RPVs (Requisições de Pequenos Valores) instrumentos que o Poder Judiciário usa para pagar os processos com sentenças proferidas que já transitaram em julgado. O argumento é que a verba serviria para reduzir o déficit público.

Só no Tribunal Regional Federal da 3ª Região SP, tribunal responsável pelas ações federais de Santos e Região,  são R$ 254,2 milhões para 54 mil credores. Esses precatórios são requisições de pagamento de ação judicial de até 60 salários-mínimos (R$ 56.220). 

De olho nesse dinheiro, o Governo Temer encaminhou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei 7.626, para buscar os valores que estão se movimentação. Em junho, pouco antes do recesso legislativo., a Câmara e depois o Senado, aprovaram a lei e agora os R$ 8,6 bilhões podem ser depositados na Conta Única do Tesouro Nacional.

O Conselho da Justiça Federal  apurou que que existem  493.301 contas não sacadas, com um total de R$ 8.643.438.148,75 depositados.

Para sindicalistas, trata-se de apropriação indébita do Governo

Sindicalistas ficaram indignados com a lei aprovada pelo Congresso. Para Paulo Pimentel, PP, presidente do Sintrasaúde de Santos, diretor da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e o mais antigo líder sindical em atividade na Baixada Santista, “o Governo Federal perdeu o rumo e a vergonha ao investir contra dinheiro de segurados que ganharam ações contra o INSS e outros órgãos ­públicos”. 

E menciona: “Isso é uma apropriação indébita feita com aval do Congresso Nacional. Uma vergonha, pois o Governo deveria tentar localizar esses verdadeiros donos do dinheiro, pois muitos, com certeza, já morreram ou estão muito doentes, mas seus familiares e herdeiros podem fazer o saque”.

Entidades de aposentados e pensionistas, lideradas pela Confederação Brasileira de Aposentados(Cobap) também não pouparam críticas  a essa iniciativa do Governo.

O presidente da Cobap, Warley Martins, diz que está indignado com a aprovação dessa lei que diz ser inconstitucional. “Isso é roubo, apropriação indébita. Ao invés de se confiscar o dinheiro dos pobres, o Governo Federal deveria informar a essas pessoas para que saquem os valores. É uma vergonha essa iniciativa da União”, concluiu.

Segurado ganha mais alguns dias

Os segurados que ganharam ações contra o INSS e tiveram os atrasados liberados pela Justiça há mais de dois anos terão mais algum tempo para ir buscar o dinheiro antes que os valores sejam confiscados pelo Governo Federal. 

É que Conselho da Justiça Federal decidiu que não irá se desfazer de nenhum precatório até meados de agosto e vai aguardar a reunião de técnicos dos tribunais federais do País que vão discutir como será executada a lei que autorizou esse confisco. 

Até lá o Governo vai ter que aguardar.