Governo e centrais sindicais vão discutir mudanças na legislação trabalhista

CUT e CTB não estiveram presentes ao encontro, mas disseram às outras centrais que aceitariam negociar após o fim do processo de impeachment

Quatro das seis maiores centrais sindicais do país já aceitaram negociar mudanças na legislação trabalhista junto com o Ministério do Trabalho.

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O ministro Ronaldo Nogueira (Trabalho) se reuniu nesta quarta-feira (27) com representantes da Força Sindical, Nova Central, UGT (União Geral dos Trabalhadores) e da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) e anunciou a criação de um grupo de trabalho para tratar da questão.

CUT e CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil) não estiveram presentes ao encontro, mas disseram às outras centrais que aceitariam negociar após o fim do processo de impeachment.

Nogueira reafirmou que pretende enviar ao Congresso até o final do ano três propostas na área trabalhista: uma atualização da CLT, a regulamentação da terceirização e a transformação do PPE (Programa de Proteção ao Emprego) em algo permanente.

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“Esse grupo vai tratar da atualização da legislação trabalhista, bem como propor medidas para combater o desemprego”, afirmou o ministro. “A necessidade de atualizar a legislação é comentada pelo próprio trabalhador. Em que termos, esse grupo é que vai definir.”

Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), afirmou que cada central tem uma posição diferente em relação a essas três questões, mas concordam com a preservação de direitos dos trabalhadores.
“Vamos negociar. Temos obrigação de, no momento em que temos mais de 12 milhões de desempregados, de discutir e tentar juntos superar essa adversidade”, afirmou. “A CLT é bastante atual, mas aceitamos aprimorar.”

“Estamos abertos à negociação. Reconhecemos que em outros países não há a CLT, mas aqui temos de pensar alguma coisa no lugar se for tirar. Mas não aceitamos a retirada de direitos”, afirmou João Carlos Gonçalves Juruna, secretário-geral da Força Sindical.

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CLT

Sobre a CLT, a ideia é prestigiar a negociação coletiva, com abertura da possibilidade de flexibilização de jornada e salário, e uma simplificação da lei para evitar interpretações diversas.

“A tese do acordado sobre o legislado dá a entender que não precisa lei. Vamos definir na legislação quais os pontos que daquele acordo terá força de lei”, afirmou o ministro.

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José Calixto Ramos, da Nova Central, afirmou ser contra esse ponto específico. “Em uma situação como hoje, com 12 milhões de desempregados, é muito fácil o patrão fazer um acordo para evitar demissões sem levar em conta o que diz a lei. Não podemos aceitar isso tranquilamente. Um acordo da nossa parte não existirá.”

Terceirização

Na terceirização, Nogueira disse que a proposta deve incorporar ideias de vários projetos no Congresso, incluindo aquele já aprovado na Câmara no ano passado, mas que não será liberada a terceirização de qualquer atividade, mas somente de alguns serviços especializados.

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“Vamos definir dentro de cada cadeia econômica quais atividades podem ser objetos desse contrato de serviço especializado.”

No PPE, será enviado um projeto de lei para torná-lo uma política permanente. Hoje, o PPE tem prazo de adesão até o final de 2016 e acaba em 2017.

Nogueira disse que, se for necessário, o envio dos projetos pode ser adiado, mas que não é possível esperar por muito tempo.

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Sobre o resultado do Caged divulgado nesta quarta-feira, o ministro destacou que o número negativo de junho deste ano foi menor que o do ano passado, tendência que deve se manter nos próximos meses.

“A economia está num processo de recuperação lento. Mês a mês o estoque negativo de desemprego vem reduzindo. Se você compara o mês de junho [deste ano] com o mês de junho de 2015, nós podemos comemorar.”