Fusões de bancos provocaram aumento das demissões, diz sindicalista

No primeiro trimestre deste ano foram fechados 1.354 postos de trabalho, segundo o Dieese

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24 JAN 201323h55

No primeiro trimestre deste ano os bancos demitiram mais funcionários do que contrataram. Um cenário bem diferente do mesmo período de 2008, quando o número de admissões superou as demissões, em mais de três mil postos de trabalho.

Estudo divulgado esta semana pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), constatou que, de janeiro a março deste ano, 1.354 postos de trabalho foram fechados. Neste período, 8.236 trabalhadores foram dispensados (96% por demissão e por pedido de demissão) e 6.882 foram contratados.

Em 2008, foram criados 3.139 empregos no mesmo período, quando houve 10.184 desligamentos e 13.323 admissões. Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Ricardo Luiz Lima Saraiva, o Big, o número de demissões no início deste ano foi maior do que o número de contratações devido às fusões entre bancos. “Com as fusões e incorporações muitas agências são fechadas e a primeira coisa que se faz é demitir.

O próprio Governo (federal) estimula as demissões porque injeta dinheiro nos banqueiros, facilitando as fusões”, afirmou o sindicalista. Segundo ele, “a única forma de brecar as demissões seria estatizar o sistema financeiro”.

Porém, de acordo com Big, nenhum posto de trabalho foi fechado na Região este ano. “Aqui ninguém foi demitido porque aqui nós brigamos. Em Santos, por exemplo, demitiu, parou”, declarou Big sobre a resposta com greve às demissões.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Carlos Cordeiro, também atribuiu a redução de empregos às fusões dos bancos Unibanco e Itaú e Santander e Real.

“Já que o sistema financeiro é muito concentrado em seis bancos, com 80% dos funcionários, isso nos leva a afirmar que esse fechamento de postos de trabalho é em bancos privados em processo de fusão. Porque os dados são muito concentrados na Região Sudeste, especialmente no estado de São Paulo”, afirmou.

O Sudeste concentrou 68,3% dos desligamentos — 5.629 —, seguida pela Região Sul, 17% — 1.399 desligados. De acordo com Cordeiro, a base de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempegados (Caged), do Ministério do Trabalho, de onde foram retiradas as informações para elaboração do estudo, não permite a especificação de informações por empresa.

No entanto, os sindicatos têm informações de que o saldo de empregos nos bancos públicos é positivo, o que reforça a ideia de que os desligamentos são resultado das fusões no setor privado.