Comando vê retrocesso nas negociações sobre segurança

De acordo com sindicalistas, reunião repetiu o clima da rodada que debateu saúde

Comentar
Compartilhar
08 SET 201118h00

Apesar do aumento do número de assaltos a agências bancárias e da crescente insegurança que atinge funcionários e clientes, terminou sem avanços a negociação sobre segurança entre o Comando Nacional dos Bancários e federação dos bancos (Fenaban) dentro da Campanha Nacional 2011. Na rodada que aconteceu na terça-feira (6), os negociadores da Fenaban disseram não às principais reivindicações da categoria, que têm o objetivo de reduzir os riscos nos locais de trabalho.

O Comando levou à mesa de negociação levantamento feito conjuntamente à Confederação Nacional dos Vigilantes dando conta de que até setembro deste ano, 31 pessoas morreram em assaltos, sendo 20 em crimes de saidinha de banco. Também aponta que foram registrados 838 ataques a bancos, sendo 537 arrombamentos e 301 assaltos.

“Apesar de ser um tema vital, os bancos ou disseram 'não' às demandas dos bancários ou protelaram as discussões, demora muito prejudicial para quem é vítima dessa violência. Com essa postura, demonstraram pouco interesse no assunto, já que ampliar medidas de segurança nas agências significa diminuir riscos e garantir a integridade física de trabalhadores e clientes”, critica Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato e uma das coordenadoras do Comando.

Até para debates que haviam avançado, como o fechamento das unidades e dispensa dos bancários em caso de assalto, Fenaban disse não na rodada desta terça. “Um retrocesso, já que vários bancos mantêm essa prática, que deveria virar regra com cláusula na convenção coletiva. Hoje temos de correr atrás, caso a caso, para evitar a abertura dos locais que sofreram assaltos”, explica a presidenta do sindicato.

O "não" também foi a resposta para a obrigatoriedade da instalação de portas de segurança em todas as agências bancárias, a proibição da guarda das chaves e acionadores de alarmes por parte dos bancários. “Eles afirmam que os gerentes sofrem sequestros em função do cargo e não por portar chaves e acionadores. Mas esses trabalhadores não gostam de portar chaves e sabem que se não tivessem de carregá-las, sofreriam menos riscos”, relata Juvandia.

Em relação à proibição no transporte de valores por bancários e reforço do monitoramento, os banqueiros ficaram de formular proposta de cláusula.

Mesa temática

Os representantes dos bancos protelaram as discussões de vários outros pontos da pauta e remeteram o debate à mesa temática. Dentre essas reivindicações estão a instalação de biombos e divisórias para proteger clientes em operações bancárias, vidros blindados e a presença de vigilantes no autoatendimento das agências.