Aposentadoria por tempo de serviço rende 102% a mais do que benefício por idade

O trabalhador que pede a aposentadoria após ter contribuído por ao menos 30 anos (mulher) ou 35 anos (homem) recebe, em média, R$ 2.174,96

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26 DEZ 2018Por Folhapress16h00
A diferença salarial pode ser explicada pela maneira como esses dois tipos de aposentados fizeram suas contribuições previdenciárias ao longo da vidaA diferença salarial pode ser explicada pela maneira como esses dois tipos de aposentados fizeram suas contribuições previdenciárias ao longo da vidaFoto: Arquivo DL

Condenada à extinção nas discussões sobre reforma da Previdência, a aposentadoria por tempo de contribuição -que não requer idade mínima para ser concedida- eleva o salário médio dos beneficiários em 102% em relação à renda dos aposentados por idade, de acordo com dados do INSS. O trabalhador que pede a aposentadoria após ter contribuído por ao menos 30 anos (mulher) ou 35 anos (homem) recebe, em média, R$ 2.174,96. 

Com esses períodos de recolhimentos atingidos, o benefício pode ser requisitado independentemente da idade do segurado.

Já quem se aposenta por idade, aos 60 anos (mulher) ou 65 anos (homem), tem uma renda média de R$ 1.076,42.

A diferença salarial pode ser explicada pela maneira como esses dois tipos de aposentados fizeram suas contribuições previdenciárias ao longo da vida.

Na maioria dos casos, o aposentado por tempo de contribuição conseguiu se manter empregado no mercado formal de trabalho durante a maior parte da vida. O número maior de recolhimentos pode ajudar a elevar o benefício, pois são considerados no cálculo apenas os 80% maiores salários recebidos desde 1994.

Além disso, o profissional que se manteve empregado por cerca de três décadas teve mais chances de contribuir sobre salários mais altos.

A situação do aposentado por idade costuma ser diferente. Grande parte desses segurados recebem o benefício tendo completado apenas a carência de 15 anos de contribuição. A maioria também recolheu sobre salários mais baixos, próximos ao valor do salário mínimo.

A regra 85/95 também contribuiu para ampliar a vantagem salarial de quem se aposenta por tempo de contribuição, pois ela ajuda trabalhadores que se aposentam ainda na casa dos 50 anos de idade a não terem suas rendas reduzidas pelo fator previdenciário.

MAIS PEDIDOS

As discussões que envolvem a reforma da Previdência tendem a se concentrar em um ponto principal: evitar que os brasileiros continuem se aposentando sem a necessidade de completar uma idade mínima.

A justificativa apresentada por aqueles que defendem a idade mínima de aposentadoria é o aumento das despesas com aposentadorias e o risco que isso traz para a economia do país em um futuro relativamente próximo.

Atualmente, a idade média dos que se aposentam por tempo de contribuição é de 53 anos (mulheres) e de 55 anos (homens), conforme dados divulgados pela Secretaria de Previdência.

Isso significa que esses segurados receberão aposentadorias por muito tempo, considerando a crescente expectativa de vida da população do país, que hoje está em 76 anos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O número de pessoas com 65 anos ou mais avançará de 16,1 milhões, em 2015, para 58,4 milhões, em 2060. O aumento é de 263%, apontam as projeções também do IBGE, divulgadas pelo Ministério da Fazenda.

Mas, por enquanto, os debates sobre a reforma têm apenas motivado mais trabalhadores a anteciparem suas aposentadorias.

No primeiro semestre de 2018, 775,6 mil segurados pediram aposentadorias por tempo de contribuição. O número é 40% maior do que as 554,2 mil solicitações do mesmo período de 2016, antes do Congresso começar a discutir a reforma.