Advogada diz que é injusto aumentar o tempo para aposentadoria da mulher

Telma Rodrigues da Silva é advogada trabalhista e uma das pioneiras em defender trabalhador portuário avulso

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08 MAR 2017Por Francisco Aloise 10h30
Além de advogada trabalhista em Santos, Telma Rodrigues da Silva  também divide seu tempo com intercâmbio de aprimoramento  em Montreal, no Canadá, pela OAB/SPAlém de advogada trabalhista em Santos, Telma Rodrigues da Silva também divide seu tempo com intercâmbio de aprimoramento em Montreal, no Canadá, pela OAB/SPFoto: Matheus Tagé/DL

Telma Rodrigues da Silva, advogada trabalhista que milita em Santos e intercala suas atividades com intercâmbio de estudo profissional no Canadá, pela OAB/CAASP, disse hoje à tarde, ao receber a reportagem do Diário do Litoral, no Fórum Trabalhista de Santos, que é injusto a mulher ter a mesma idade ou tempo de contribuição do homem para a aposentadoria, como prevê o projeto do Governo Federal que se encontra em debate no Congresso Nacional.

Enquanto conferia alguns processos de trabalhadores portuários avulsos, patrocinado por seu escritório, ela justificou porque acha injusto a idade de 65 anos tanto para homens quanto para mulheres: “As mulheres têm dupla ou até tripla jornada e isto tem que ser levado em conta pelo Congresso Nacional quando deputados e senadores forem votar a reforma da previdência. Eles têm que observar que a realidade do Brasil é diferente dos países da Europa, como, por exemplo o Canadá. Não dá para se ter como base esses países, pois isto também se torna injusto ao trabalhador e trabalhadora do nosso País”, diz a advogada.

Como ex-integrante da Comissão da Mulher Advogada da OAB/Santos e da Comissão de Prerrogativas da Mulher Advogada, Telma diz que foi uma das pioneiras em advogar para trabalhadores portuários avulsos, o que ocorre há mais de 20 anos. “Era um setor dominado predominantemente por homens, idêntico os de algumas profissões do porto, como é o caso dos estivadores e hoje, nosso escritório patrocina centenas de ações de estivadores e outras categorias principalmente contra o Órgão Gestor de Mão –de-Obra (OGMO) “, diz.

Acrescenta que no início foi difícil quebrar esse paradigma e que os próprios trabalhadores ao se verem diante de uma mulher advogada, olhavam, com alguma desconfiança, principalmente durante as audiências na Justiça do Trabalho . “Sou uma pessoa abençoada por Deus e carrego Deus no coração num ambiente que, às vezes, chega a ser hostil, nessa eterna luta entre o trabalhador avulso e o forte poder econômico do setor. Mas vamos avançando e obtendo os sagrados direitos desses trabalhadores e, com isso, ganhando sua confiança”, explica advogada trabalhista.

Para Telma, intercâmbio no Canadá, a fortalece na profissão

Sobre o intercâmbio no Canadá, ela diz: "É uma experiência bastante gratificante, mas para isso, tivemos que estruturar nosso escritório de advocacia aqui em Santos, para partir em busca desse aprimoramento profissional."

A advogada informou que, primeiro, ficou em Vancouver e que agora foi designada para Montreal. "A realidade lá fora é bem diferente da que vivemos aqui no Brasil", menciona.

"A relação capital/trabalho é bem evoluída, com jornadas estipuladas por contrato de trabalho que funcionam. Com isso o número de ações trabalhistas é bem pequeno", explica Telma.

Ela diz que não se pode fazer comparações com o Brasil. O mesmo ocorre em relação às questões previdenciárias. e ao atendimento no setor de saúde.

E conclui: “É uma experiência de trabalho que vai aperfeiçoar nossos conhecimentos e serão usados pelo resto da minha vida profissional. Com as bênçãos de Deus, vamos seguir em frente e avançar cada vez mais em nossa área de atuação”.