Vacina contra gripe A (H1N1) não deverá ter restrições

O médico infectologista Ricardo Hayden, no entanto, diz que ainda há informações divergentes no mundo sobre se gestantes, crianças e idosos podem ou não tomar a dose

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19 JAN 201319h51

A 39 dias do início da campanha de vacinação contra a Influenza A (H1N1) -- gripe suína --, no Brasil, é precoce afirmar que a dose poderá oferecer ou não efeitos colaterais e apontar restrições. Mas, em princípio, não há restrições à imunização de nenhum grupo de pessoas, de um modo geral.

O professor de infectologia da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), médico infectologista Ricardo Leite Hayden, afirma que “a vacina não tem vírus vivo, então não existe, em princípio, restrições para grupos de crianças, idosos ou grávidas”.

Porém, Hayden adverte que o fabricante da vacina inglesa restringe a aplicação da dose em gestantes, menores de 18 anos e pessoas com mais de 60 anos. Há pelo menos três vacinas sendo produzidas. Segundo ele, na Europa, além da inglesa, há a vacina francesa e a suíça. Os Estados Unidos também produzirão as doses.

Hayden afirma que as doses não devem ser recomendadas para “pessoas com déficit de imunidade muito acentuada”, ou seja, praticamente sem defesa no organismo. Pessoas em tratamento de câncer, por exemplo, estão nesse grupo.

Quanto às gestantes, Hayden explica que especialistas como ele aguardam as orientações do Ministério da Saúde e da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre se a vacina é recomendada e em que período da gestação a vacina pode ser administrada. O infectologista explica que a partir do terceiro trimestre de gestação a resposta imunológica cai muito para que o organismo da mãe não rejeite o feto (quase um corpo estranho).

Hayden estima que as recomendações sobre quem pode e quem não pode tomar a vacina deverão ser definidas em meados de fevereiro, mais próximo ao início da campanha nacional.

Campanha em quatro etapas

O Ministério da Saúde pretende vacinar 62 milhões de pessoas contra a gripe A (H1N1), a partir de março. As vacinas serão distribuídas de acordo com o número de pessoas dos grupos de risco em cada município e as secretarias municipais de Saúde vão definir os locais de vacinação.

A vacinação será feita em quatro etapas, segundo anunciou o ministro José Gomes Temporão, na última terça-feira. Na primeira etapa, de 8 a 19 de março, serão imunizados os profissionais da área da saúde e a população indígena. Na segunda etapa, de 22 de março a 2 de abril, serão vacinadas crianças de 6 meses a 2 anos de idade, doentes crônicos e portadores de doenças como diabetes e mulheres grávidas.

A terceira etapa vai ocorrer de 5 a 23 de abril, quando serão vacinadas as pessoas entre 20 e 29 anos. Na última etapa, de 24 de abril a 7 de maio, a vacinação será de idosos com doenças crônicas.

Temporão disse que a estratégia brasileira de combate à doença é proteger os grupos mais sensíveis ao vírus. “Estamos seguros de que estamos protegendo os grupos mais frágeis e aqueles que têm o risco maior de adoecer e de morrer. Nós recomendamos à sociedade de imunologia que adote o mesmo protocolo na rede de clínicas privadas”, explica.

O Governo Federal comprou 83 milhões de doses da vacina, ao custo de R$ 1 bilhão. Segundo Temporão, a venda de medicamentos com o princípio ativo chamado oseltamivir (o mesmo do Tamiflu), foi permitida com a retenção da receita médica.

No entanto, ainda sobre a vacina, o infectologista Ricardo Hayden esclarece que a imunização é importante, mas “não há razão para atropelo”. Hayden orienta que pessoas que apresentarem sintomas de gripe, independente do tipo de influenza, devem procurar atendimento médico nas primeiras 48 horas.

Os postos de saúde estão administrando o medicamento oseltamivir, específico para o tratamento da gripe A. Hayden explica que se a pessoa tiver contraído a gripe A (H1N1), a resposta ao tratamento por oseltamivir será melhor, no início do ciclo da doença, além de reduzir o risco de óbito em pacientes mais vulneráveis.