SPPT alerta para a frequência da bronquiolite no inverno

O chiado no peito é um sintoma comum das doenças respiratórias na infância. Em caso de suspeita, o médico deve ser consultado o mais rápido possível

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01 ABR 201412h09

Com o fim do verão e a iminente queda das temperaturas, nos aproximamos da época em que as doenças respiratórias voltam a atacar. Os mais atingidos costumam ser os indivíduos nos extremos da idade, ou seja, as crianças e os idosos, que naturalmente têm o organismo mais vulnerável.

No caso dos bebês, um dos problemas mais frequentes até os dois anos de idade, principalmente antes dos 8 meses, é a bronquiolite viral, que responde por elevadas taxas de hospitalização. Em até 80% dos casos, o vírus respiratório sincicial (VRS) é o agente etiológico, com período de incubação de 4 a 5 dias. Outros causadores relevantes são rhinovírus, metapneumovírus humano, parainfluenza tipo 3, influenza, adenovírus, coronavírus e bocavírus humano.

A doença inicia com a infecção das vias aéreas superiores, caracterizada por tosse leve, espirros e congestão nasal, com progressão nos dias subsequentes para acometimento das vias aéreas inferiores. Nesta fase, ocorre uma piora da tosse, que pode levar à falta de ar.

“No exame físico, auscultamos os sibilos (chiado), que fazem com que a doença seja frequentemente confundida com a asma, popularmente chamada de bronquite. O ideal, portanto, é que os pais levem esta criança para uma avaliação médica o quanto antes. Além disso, quanto mais precoce e mais grave for o primeiro episódio de sibilância, maior a chance de a criança apresentar novos episódios”, esclarece a dra. Daniela Wickbold Gancz, coordenadora do Departamento de Pediatria da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

Com o fim do verão e a iminente queda das temperaturas, nos aproximamos da época em que as doenças respiratórias voltam a atacar (Foto: Divulgação)

Identificando os sinais

Dra. Daniela explica que os sinais de gravidade da bronquiolite são desidratação, respiração ofegante, coloração azulada da pele ou mucosas, dificuldade em mamar, entre outros.

“O diagnóstico é puramente clínico, pois a radiografia de tórax demonstra poucas alterações. O tratamento é feito com limpeza nasal e inalação com solução fisiológica. Em algumas crianças, medicamentos podem ser necessários. Por se tratar de uma doença causada por vírus, não se deve utilizar antibiótico ou qualquer outro medicamento sem prescrição médica”, pontua a pneumopediatra.

Prevenção e cuidados

Diagnosticada a bronquiolite, um dos cuidados para deixar o bebê o mais confortável possível é mantê-lo deitado, elevando suavemente a cabeceira, e fracionando a dieta para evitar engasgos e broncoaspiração, além de manter a hidratação contínua.

“Para evitar a doença, os bebês, principalmente, devem evitar contato com adultos ou outras crianças com sintomas gripais. No caso de bebês pequenos e recém-nascidos, o ideal é evitar passeios em lugares públicos, especialmente no inverno. Lavar as mãos com frequência também pode evitar a transmissão dos vírus”, recomenda a dra. Daniela.