Saúde em crise na Baixada Santista

Dependentes da rede pública ainda sofrem nas unidades de saúde da Região

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20 FEV 201314h53

Na semana em que o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou aumento de 30% na tabela SUS, totalizando um aporte de R$ 1,2 bilhão, a crise na saúde pública se agravou em algumas cidades da Baixada Santista. A maioria da população que é SUS-dependente continua se queixando da falta de médicos nos pronto-socorros, da demora no atendimento, e profissionais da saúde denunciaram atrasos nos salários.

Na segunda-feira, a unidade de traumatologia do Hospital Santo Amaro (HSA), em Guarujá, não abriu pela manhã. Médicos do hospital estavam sem receber há dois meses porque a Prefeitura, que é interventora, não repassou a subvenção mensal de R$ 350 mil. As cirurgias eletivas, ou seja programadas, estão suspensas por tempo indeterminado. A Administração repassou apenas a subvenção referente ao mês de agosto. Cerca de 90% do atendimento no HSA é SUS.

Em Itanhaém, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) também não recebe salário desde julho. A Administração Municipal alegou que não tem recursos para  repassar o aporte total em débito ao SAMU devido à inadimplência na arrecadação de tributos. De acordo com a Prefeitura de Itanhaém, o SAMU tem um custo mensal de mais de R$ 200 mil e que o Ministério da Saúde repassa ao programa, R$ 71.500, por mês.

O diretor-coordenador do SAMU de Itanhaém, Amir Mahmoud Bahmad, afirmou que os profissionais estão enfrentando dificuldades para garantir o atendimento. “Recebemos cerca de 1.200 chamadas por mês e temos apenas três viaturas para atender uma cidade com 100 mil habitantes”. A Prefeitura pagou somente os salários de julho dos motoristas e socorristas do SAMU. Médicos, enfermeiros e demais funcionários devem receber os salários de julho até o próximo dia 10.

O Samu é um programa que tem como finalidade prestar o socorro à população em casos de emergência. O serviço funciona 24 horas e atende às urgências de natureza traumática, clínica, pediátrica, cirúrgica, gineco-obstétrica e de saúde mental da população. As chamadas devem ser feitas pelo 192. Amir orienta à população que ligue para o 192 somente em casos de urgência para evitar que uma emergência real deixe de ser atendida.